Tiago Worcman

O marido de Carolina Dieckmann sai dos bastidores e se exibe na Tpm

por Ariane Abdallah em

Tiago Worcman anda com um facão na mochila, mas cuida da cozinha e frequenta astróloga. No passado, era o gatinho da escola. Hoje, aos 34, é diretor de programas no GNT. A seguir, o rapaz como só Carolina Dieckmann conhece

Tiago caminha pela Oscar Freire, rua paulistana lotada de lojas como Maria Bonita e H. Stern, em busca de um presente para a atriz Carolina Dieckmann, sua namorada há um ano. É junho de 2004, Dia dos Namorados. Entre roupas e acessórios, nada o convence. Até que ele avista um Pão de Açúcar e, minutos depois, sai do supermercado com um pacote de meio metro nas mãos. Horas mais tarde, ouvem-se gritos na suíte ocupada pelo casal carioca no cinco estrelas Emiliano. “O que é isso? Você tá louco?”, indigna-se ela, enquanto bate no namorado com o que acaba de ganhar: uma escova de banho para lavar as costas.

Para Tiago, o presente não poderia ser mais autêntico e útil. Esse é o cara que hoje dirige os programas Alternativa Saúde, com Cynthia Howlett e Patricya Travassos, e Vai e Vem, apresentado por Preta Gil, ambos do GNT. Em 2003, ele ficou famoso como o “novo namorado de Carolina Dieckmann”. Mas, além do título, chama a atenção pela aparência. “Já na escola, as meninas caíam matando em cima dele”, conta Joana Macedo, amiga desde a adolescência e uma das poucas com quem ele diz não ter tido nada além de amizade. Ele próprio admite escolher com atenção a roupa que vai usar. Mas abre a porta de casa, no Rio de Janeiro, para a reportagem da Tpm, num domingo de manhã, com a barba por fazer, bermuda de surfista e a camiseta com um furinho na gola.

Casado, pela segunda vez, há três anos, ele não tem uma conta conjunta com a mulher – “que ganha bem mais que eu” – e costuma viajar com a família, nos fins de semana, para sua casa em Búzios, onde não tem ar-condicionado – só ventilador.

No escritório de seu apartamento, Tiago guarda uma caixa de ferramentas – “porque eu sou homem, ué” – e carrega um facão na mochila do dia a dia. “Para cortar um galho que atrapalha uma gravação do programa ou a visão da estrada”, explica. Mas faz consultas astrológicas a cada seis meses e, na cozinha, é ele quem manda. Tem fama de “natureba” e sua lista de compras inclui pimentas, óleo de gergelim e molhos tailandeses – uma das gastronomias que mais aprecia.

Tiago tem 22 calçados (entre os quais, 19 tênis), 13 calças (como um jeans de Alexandre Herchcovitch) e mais de 100 camisetas. Suas coisas ocupam apenas uma das seis portas do closet que divide com Carolina. Mas ela garante que o marido demora mais para se arrumar.

Ele não troca com frequência o carro, o computador nem o equipamento de asa-delta (pratica voo livre há 13 anos, ao lado dos melhores voadores do Brasil). Para fazer uma compra dessas, pesquisa preços, materiais, fornecedores. Até porque, acima de tudo, Tiago gosta de fazer perguntas.

Quer saber como é a vida desta repórter, sua rotina, seu trabalho. Taxistas, colegas de trabalho ou o porteiro do prédio sentem-se as pessoas mais interessantes do mundo ao seu lado. “Ele sempre pergunta: ‘E aí, Zezinho? Passeou com a família? O que fizeram?’”, conta José Antonio, porteiro do edifício em que Tiago mora. “Qualquer pessoa que dê abertura para ele corre o risco de ser interrogada”, brinca Carolina.

Durante a gravidez de José, hoje com 2 anos, era ele quem descrevia para o médico tudo o que a mulher sentia, pensava ou comia. Para conseguir riqueza de detalhes, ele não restringia as perguntas a Carolina, ligava também para a empregada para cruzar informações.

Até o filho entra na dança das perguntas. “Quer pipoca?”, questiona o pai. “Quero, Tiago”, responde o pequeno, chamando-o pelo nome a exemplo do irmão, Davi, de 11 anos, filho de Carolina com o ator Marcos Frota. “Pipoca mesmo ou só milho?”, complica Tiago, numa festa junina em que estão também a reportagem da Tpm e a babá, Rosa. Ele tira fotos de Davi na cama elástica e acompanha o caçula no pula-pula. Preza tanto esses momentos em família que vez ou outra Rosa fica sozinha no apartamento enquanto o casal sai com as crianças. “Nessas horas acabo recebendo sem fazer nada”, confessa.

No trabalho, Tiago tem o mesmo estilo agregador. Sua fama no GNT é de colocar pilha na equipe, com um humor irônico peculiar, e se interessar pelo trabalho de cada um. Bia Lemos, figurinista do Alternativa Saúde, tem que explicar por que escolheu uma roupa e se ela carrega informação de moda. Peças volumosas e sapatos repetidos não passam no crivo de Tiago. Já com Patricya Travassos – que foi casada com o pai de Tiago e é uma das pessoas mais próximas dele – uma discussão recorrente é o cabelo dela. A apresentadora gosta de seus cachos naturais, enquanto Tiago exige que ela faça escova. “Mas confesso que hoje me acho mais bonita na TV”, pondera ela.

 

Esperar sentado?

Tiago não estudou moda nem comunicação e sabe que na movimentada avenida das Américas, na Barra da Tijuca, tem uma aroeira – árvore com propriedades medicinais. Por causa desse interesse, quando terminou a escola entrou na faculdade de biologia. Durante um ano, passou dias inteiros sentado entre folhagens do Jardim Botânico, esperando um beija-flor posar sobre uma bromélia, para concluir sua pesquisa científica. Até que sentiu vontade de mudar de área, de falar com mais gente. Algo como a televisão.

Quando criança, ele já havia tido contato com artistas por causa do pai. O polonês Diduche Worcman foi produtor executivo do Circo Voador e do grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone, por onde passaram Perfeito Fortuna e Regina Casé, muito amiga dele na época. Hoje, ela é madrinha de casamento e do filho de Tiago. “Viramos uma família”, define Regina. Aos 11 anos, Tiago conheceu também a cineasta Sandra Kogut, numa viagem ao México, quando o Circo Voador promoveu apresentações na Copa do Mundo.

Dez anos depois, Sandra era diretora do Brasil Legal, apresentado por Regina Casé, na Globo, quando tocou o telefone de sua casa. “Era Tiago, com 20 anos, me pedindo um estágio. Achei tão cara de pau que o contratei”, conta ela.

Logo Tiago virou roteirista da emissora, passou por Muvuca, em 1998, e, três anos depois, foi estudar cinema na New School, em Nova York, com a então mulher Gabriela Figueiredo, produtora. De volta ao Brasil e à Globo, em 2003 virou roteirista do Caldeirão do Huck. Na mesma época se separou de Gabriela e reencontrou Carolina Dieckmann, a menina mais nova que era apaixonada por ele na escola Ceat.

Embora não tenha uma referência de família convencional, Tiago cresceu entre histórias de amor intensas. Além dele, seu pai teve seis filhos, com cinco mulheres. Sua mãe, Beth, uma fotógrafa hippie que já tinha gêmeos quando conheceu Diduche, viveu com ele três anos, mas depois mudou-se para uma cabana de pescador em Búzios, só com os filhos. Conhecida por andar com uma espingarda, ela colocava vestidos nos meninos porque “era prático para fazer xixi”. De Búzios, mudaram para Paraty, depois para Nova Friburgo e para o Rio de Janeiro. Aos 15 anos, Tiago foi morar com o pai, de quem se aproximou cada vez mais.

Mas foi aos 22 que ele sentiu falta de disciplina. “Eu podia ter muitas mulheres, aquela coisa classe média alta carioca, de ir no Posto 9, no baixo Gávea, fazer faculdade, ter carro, pegar onda... Mas tinha um vazio, eu precisava de foco.” Seu pai era judeu não praticante, e Tiago começou a frequentar a sinagoga. Se converteu oficialmente à religião e decolou também no esporte que seu pai praticava: o voo livre.

Renascimento

Beth diz ter concebido Tiago no dia 16 de janeiro, sobre a areia da praia Rasa, em Búzios, numa visita de Diduche depois que eles já não namoravam. Nessa mesma data, só que em 2004, Tiago era o acompanhante do pai no hospital, quando ele morreu de câncer generalizado.

No dia seguinte, Tiago voou da Pedra Bonita, em São Conrado, até o Corcovado, “trajeto avançado” que ele e o pai sempre ensaiaram fazer. Quis repetir o percurso no outro dia, mas não calculou bem a rota e, na volta, desceu no pátio da Escola Americana, na Gávea. Despencou 10 metros de altura. Quebrou um osso do braço e a bacia e ficou quatro meses de muleta. “Pensando hoje, foi como uma tentativa de suicídio”, analisa ele.

Mas o efeito pós-acidente foi o contrário. A partir de então, ele engatou firme o namoro com Carolina – que acabou se apegando à escova de lavar as costas –, virou pai de José e diretor de programas de televisão. E, com os pés no chão, Tiago reaprendeu a voar.


ESTILO ANA HORA ASSISTENTE GIULIA HORA ROLY ASSISTENTE DE FOTO JU COLUSSI PRODUÇÃO ANA LUIZA TOSCANO AGRADECIMENTOS ALFAIAS, OSKLEN E TREELIP

Crédito: Jorge Bispo
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