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Terror infantil

A companhia espanhola La Casa Incierta trouxe ao Brasil uma incrível peça para bebês encenada por atrizes que parecem não gostar muito de seus espectadores…

Por Jéssica de Silva

Saiu em todos os jornais. Em resenhas de sites, guias da semana e até em alguns programas de TV. A companhia espanhola de teatro La Casa Incierta vinha ao Brasil com uma proposta incrível: o teatro para bebês, de 6 meses a 2 anos, sucesso absoluto nas capitais européias! E agora eles estavam aqui, proporcionando a oportunidade de iluminar as cabecinhas de afortunados bebês tupiniquins. A escolinha da minha filha conseguiu uma sessão extra para os alunos. Oba!

Ela e mais uns 12 bebês esperavam a hora de o espetáculo começar. “Puede ser que los bebês chorem. La peça mexe com la emoción de los pequenos. Senten em lo piso amarelo”, avisou um cara da produção antes de entrarmos. A peça começou. Duas meninas jogavam feijões que caíam de um sapato vermelho e faziam um barulho estranho com a boca. Parecia um exercício do primeiro ano do curso de artes cênicas da USP. Uma coisa assim, conceitual. Talvez os bebês achem isso legal.

Bebês dispersos, ahn hã…

Minha filha realmente achou legal. Ela adora sapatos e tinha acabado de aprender a cor vermelha. Em um impulso saiu do meu colo e começou a andar pela sala gritando: “Sapato vermeio! Viva!! Viva!!!”. Achei fofo. Olhei sorrindo ao redor e as outras mães riam. Mas o pessoal da equipe me olhava feio. Muito feio. “Viva!!! Viva!!! Vermeio!!”, Juju continuava em seu acesso de alegria. Queria pegar nos “elementos de cena”, queria mexer no sapato vermelho e, principalmente, gritar. A equipe do teatro ficou tão puta que achei melhor, sob protestos, tirá-la da sala. Depois da peça, a levaria ao palco para ver o tal do sapato vermelho.

Depois de 30 minutos, entrei sorrindo e pedindo desculpas para as atrizes, que ainda estavam sentadas no palco. Elas estavam furiosas. Uma saiu bufando. A outra começou a falar, muito brava: “Estivemos no mundo inteiro e os bebês sempre se comportam! Quando agem assim é por causa das mães, que não põem limites em seus bebês!”. Antes de ir embora, uma outra pessoa da organização veio me dar um “conselho amigo”: “Olha, tome cuidado… bebês que são dispersos assim, nessa idade, podem ter problemas na escola mais tarde!”. Ahn hã… Então tá.

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