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Tenha meda, muita meda

Por Kátia Lessa*

Não era a Madonna, não era Michael ressuscitado, não era um Beatle, não era Jesus Cristo. Na manhã de um domingo que antecedia um feriadão (de muito sol, diga-se)  centenas de fãs da saga Crepúsculo aglomeravam-se em torno do Hotel Hyatt em São Paulo. Os braços empunhavam exemplares dos livros, cartazes, bilhetes, e fotos dos atores Kristen Stewart e Taylor Lautner. Eu não me lembrava de uma euforia dessas desde a passagem do Guns N’ Roses pelo Hotel Maksoud Plaza na capital paulista. Tá bom, vai. Teve a gritaria louca dos fãs do RBD, o Rebelde, mas os vampiros freaks pareciam realmente dotados de forças sobrenaturais superiores. Já explico.

Para passar pela barreira que separava a fonte dos gritos agudos da porta giratória que leva ao lobby, era preciso apresentar RG e comprovar que seu nome estava na lista dos jornalistas e fotógrafos credenciados para a coletiva de imprensa. Primeira fase, ok. Dava até para sentir a orelha quente das garotas que dariam um dedo mindinho para estar no meu lugar. Haja alho pra proteção. Do lado de dentro, a bagunça continuava. Jornalistas cujos nomes haviam sumido da lista brigavam para conseguir alguma explicação da equipe da assessoria de imprensa, ao mesmo tempo em que fanáticas sortudas, ganhadoras de concursos em rádios ou sites, eram vaiadas enquanto subiam as escadas rolantes que levavam aos astros pop. A confusão foi tanta, que 15 minutos antes do encerramento oficial, assessores zumbis se mandaram de seus postos, e deixaram jornalistas longe do lobo e da mocinha mais desejados do momento.

Mas foi por ali mesmo, no lobby do hotel, que a festa ficou boa. Lá pelas 11 e meia da manhã, pencas de crepusculomaníacas (muitas delas acompanhadas de suas mães, acredite) derrubaram as grades de isolamento que as afastavam do hotel, e aos berros, desembestaram em direção ao local da coletiva como vampiros sedentos por sangue. Os seguranças, a la Hulk, tentavam travar as portas de vidro, que eram esmurradas pelas fãs superpoderosas. Umas choravam, outras esfregavam o rosto suado na barreira, e uma, mais malandra, forjava um desmaio. Horas e horas de furdunço depois, PMs Robocops foram acionados para acalmar a multidão de garotas cuja média de idade ficava na faixa dos 14 anos.

_ Ei garota, você chegou aqui faz tempo? – pergunto através do vidro para uma vampirinha chorona.

_ Sete da manhã

_ Você está machucada?

_ Não, não

_ Tá triste porque não viu a  Kristen e o Taylor?

– Não, tô feliz

_ Você encontrou com eles?

_ Não, mas eu respirei o mesmo ar que eles. Eu sou muito fã da saga, muito!

Eu já disse que era um pré feriado de sol?

* Kátia Lessa é repórter da Trip.

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