No último desfile masculino de Alexandre Herchcovitch, babamos com uma luva de pêlos. Convidamos Vitor Angelo, autor do livro Aurélia, a dicionária da língua afiada, para passar um dia com uma. ele arrasou. Mas não conseguiu atender várias mensagens em seu celular
Por Vitor Angelo Fotos Bruno Miranda e Arquivo Pessoal
Não sou nenhuma herchcovitchima (adoradores do Alexandre Herchcovitch que nunca conseguem entrar em seus desfiles nem no clube em que ele é DJ), mas fico muito feliz quando o estilista desenha algo que caiba no meu shape balonê. Mas o caso não é esse! No seu último desfile, em janeiro, cheio de referências glaciais, o clima esquentou quando Nina Lemos e eu vimos uma luva de pêlos na passarela de sua coleção masculina. Mais uma sacada de gênio! Estava aí nosso artigo para um test drive.
Já de cara me senti vingado. Lembrei quando adultos vinham alertar a nós, “pré -adolescentes Sasha”, isto é, crianças de 8 anos, que se nos masturbássemos cresceriam pêlos na mão. Essa peça do Alê era a resposta a esses imbecis pré-freudianos que infestaram nossa cabeça de repressão, e passar o dia todo com ela era a prova viva que tanto na Islândia como no Brasil há espaço pra pêlos, sim, que o diga o Tony Ramos e a Cláudia Ohana!
O dia começou agitado, fui dar uma entrevista sobre meu Dicionária no programa Charme da Adriane Galisteu. E lá fui eu com minhas luvinhas. Não pude perder a chance de perguntar para a apresentadora o que ela achou dessa nova criação de Herchcovitch. De imediato, a loira não pestanejou e disse: “Com certeza, eu as usaria em Paris”. Elogiou também a praticidade do acessório, pois poderia também, além de esquentar as mãos, aproveitar para ir limpando os móveis da casa, tipo espanador. Mas ela gostou mesmo foi do toque e ficamos ali fazendo carinho em nós mesmos.
Já o cabeleireiro Marco Antonio di Biaggi, que também era um dos entrevistados da Galisteu, achou o item bem “diferente”, mas preferiu não dar conselho nenhum sobre como cuidar dos pêlos das luvas, já que sua especialidade são as loiras!
Aproveitei esse começo de tarde “celebrities” e chamei o Supla pra fazer uma foto rock’n’roll comigo. Infelizmente, com a luva não consegui fazer a tradicional pose metaleira com os dedos mindinho e fura-bolo (apontador e mínimo) esticados, formando o desenho de um chifre, então fizemos com a mão fechada mesmo.
Sobre a luva, ela é realmente deliciosa de vestir, nem é tão quente assim. É fina e revestida de seda! Mas, para usá-las, você tem que ter um pensamento Playmobil, aqueles famosos bonecos da infância que a mão era feita de dois dedos e você podia encaixar os objetos. Para pegar xícaras e até mesmo pão, ela é ótima, apesar de toda uma concentração pra não cair nem molhar o pêlo na sua bebida ou na sua comida (desaconselhável para todos que têm ojeriza de cabelo no meio da refeição).
No entanto, ir ao banheiro é uma dificuldade, pois além de ser muito difícil abrir a calça, você pode sofrer um momento de perturbação mental e não saber quais são os seus pêlos e quais são os das luvas. Pior que isso só falar no celular, eu não conseguiria nem apertar o botão pra atender uma ligação se não tivesse o auxílio do Bruno, o fotógrafo desta matéria.
Os animais entram em polvorosa. Cafeína, a gata da Nina, que dizem não ter medo de nada, nem de “criança-demônia”, ficou apavorada, e fazer uma cama-de-gato com ela foi uma dificuldade. Na rua, as pessoas também me olhavam com uma certa estranheza, mas eu tenho a convicção de que era porque eu estava com a nova luva do Alexandre, suas invejosas!
