Qualquer maneira de amor

por Redação em

O que é um casamento?

Pra muita gente é juntar as escovas de dentes, de preferência depois de uma festa de arromba (que tenha bolo, juras e bem- -casados). É morar sob o mesmo teto, dividir as contas e acreditar, mesmo que momentaneamente, que ficaremos juntos para sempre. E, para a maioria, é abdicar de outras relações amorosas e canalizar o desejo de maneira que recaia sempre sobre a mesma pessoa. Parece lindo, mas... tem se mostrado irreal. A ideia de que encontrar a cara-metade com quem queremos dividir a vida significa nunca mais olhar (e se interessar por) qualquer outro ser até o resto dos dias é cada vez mais questionada dentro dos casamentos.

Na reportagem que começa na página 50, especialistas e pessoas inseridas em diferentes formas de relacionamentos discutem conceitos como traição, liberdade e respeito. Não encontramos um modelo único que resolva a vida de todos. E percebemos que, nessa busca por liberdade – e pelo entendimento de que casamento eterno e exclusividade sexual talvez sejam coisas fora da realidade –, há, muita confusão e sofrimento. Por um lado, parece frustrante acabar com o sonho de encontrar “a metade da laranja”. Por outro, a multiplicidade de jeitos de amar nos abre um mundo de possibilidades.

É verdade que estamos longe de viver em uma sociedade que lide com naturalidade com o chamado poliamor. Diante dos relatos de quem criou seu próprio jeito de amar, transar e casar, o que ainda prevalece é o arregalar de olhos. E não dá pra negar que, mesmo para quem achou um formato não convencional, a vida não é fácil: a tradição traz um certo conforto; inovar dá trabalho.

Mas muita coisa mudou. Desde 1977, quando o divórcio foi regulamentado e a lei de adultério caiu em desuso, é possível ser mais verdadeiro nas escolhas. A luta feminina pela igualdade de direitos e a coragem de gente que experimentou novos arranjos deram uma nova dimensão aos relacionamentos. Há tempos os casamentos não precisam mais ser nem indissolúveis nem heterossexuais. Será que algum dia não precisarão mais ser monogâmicos? 

O que está provado é que o que dá certo pra uns pode não funcionar para outros. Essa é uma medida que só cabe a quem está dentro da história e não deveria ser objeto de julgamento alheio. Como já disse Caetano Veloso, quando “todo mundo quer saber com quem você se deita, nada pode prosperar”. Somos livres para escolher o tipo de casamento que nos faz feliz. E pode ser inclusive aquele em que só cabe um parceiro, para sempre. Fundamental mesmo é o amor.

Os editores

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