O dia em que Nina Lemos depilou o outros

Meu nome é Nina Lemos e fui pela primeira vez fazer uma depilação anal, também conhecida como “virilha cavada na parte de trás”

por Nina Lemos em

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Meu nome é Nina Lemos e fui pela primeira vez fazer uma depilação anal, também conhecida como "virilha cavada na parte de trás", ou simplesmente "outros", como insistem os salões de beleza que, pelo jeito, odeiam a palavra cu. Mas, vamos ao que importa: eu sobrevivi! E não apenas à depilação em si, mas a uma série de constrangimentos. "Você nunca depilou seu ‘outros’?" A pergunta foi da editora desta revista, Lia Bock. Minha resposta: "Eu? Não, claro que não!". "Não dói nada, sabia?" Não acreditei, mas descobri que eu era uma espécie de aberração, uma das únicas mulheres que nunca tinham depilado "lá", ou "aquilo". Depilar o cu nunca passou pela minha cabeça. E eu jamais teria feito isso se não fosse por mais um esforço de reportagem.

Fui até a Delicia, salão de depilação em Berlim da brasileira Lúcia. Cheguei e disse, em português: "Quero fazer uma depilação anal". Esse era o primeiro obstáculo: como falar? Fiz uma enquete com amigas: "Fale que quer fazer virilha cavada. Isso significa que você quer fazer tudo, aí ela vai perguntar: ‘Quer fazer embaixo também?’", disse uma amiga. Mas eu não queria depilar tudo. "Ah, então você fala que quer fazer a virilha cavada atrás." Que complexo. "Sei lá, fala que quer fazer o bumbum", sugeriu outra. Mas o meu "anal" funcionou. "No Brasil a gente fala: ‘Depilar no bumbum, embaixo, ali. Aqui elas falam bunda (em alemão, poh) direto", disse Lúcia. 

Crédito: Camila Fudissaku

Hora do sacrifício. Tirei a calcinha e fiquei em uma posição ridícula. Deitada, abraçada com as pernas para cima, como se estivesse fazendo ioga pelada ou sexo em uma posição meio exótica. 

Ela colocou a cera quente e… não doeu! Doeu bem pouco, mesmo. Muito menos que virilha (e quando eu falo virilha é virilha mesmo, ali, na linha do biquíni, o máximo que faço).

Deu nervoso sentir que aquela cera estava mesmo no meu ânus, numa parte sensível. Mas não doeu e foi rápido. Depois, Lúcia pegou um espelho e me mostrou como tinha ficado. Nunca tive muito interesse pelo meu cu, nunca o tinha visto com espelho e a imagem dele depilado para mim foi indiferente.

Aqui estou, com a bunda depilada. E o que sinto? Nada. Apenas que sou uma sobrevivente. E, não, não quero repetir a façanha porque... ah, porque eu tenho mais o que fazer, oras! 

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