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O desafio da saia balonê

Depois de ouvir uma ordem de uma editora de moda e ver em todas as passarelas o retorno da peça mais ridícula já inventada para o guarda-roupa feminino, a repórter decide desafiar a todos e provar que saia balonê é a coisa mais horrível do planeta. Confira abaixo quem ganhou: ela ou o mundo?

Lá estava eu, em uma mesa de um restaurante, falando mal da saia balonê, aquela peça terrível, que você pode ver nas fotos, e que sempre foi considerada por mim e pelas minhas amigas do 02 Neu­rô­nio uma espécie de pochete feminina, se é que vocês me entendem. Aí surge a edi­tora da revista Vogue, Adriana Bechara: “Ni­na, você é magra, não tem desculpa, vai ter que usar”. Ter o que mesmo, fashionis­tas? Desde quando eu “tenho que” alguma coi­sa (fora entregar este texto no prazo)?

A discussão sobre a balonê começou ain­da no SPFW (sim, eu perco meu tempo dis­cutindo peças de roupa, sou fútil pra ca­ramba, mas futilidade, como diz Caio Fer­­nando Abreu, é matéria de salvação). Is­so porque os estilistas inventaram que ba­lonê é legal. E acham que a gente vai usar aquilo. Coisa que eu duvidava até en­tão. “Vai ficar lindo em você. Usa por mim, vai”, dizia a Vivi, amiga querida, repórter de mo­da da Folha de S.Paulo. E eu: “Não, Vivi, não vai rolar”.

Achei, então, que era caso de um test drive, de provar para o mundo da moda que ele estava errado e eu, claro, como sem­pre, certa. Coloquei uma camiseta ba­lonê por cima de um short balonê (sim, isso exis­te). Sentei, olhei para as minhas pernas e ti­ve a sensação de estar de fraldas. Mas cum­pri as ordens dos amigos fashionistas e coloquei um salto, para valorizar as pernas. Saí assim pelas ruas. O João, motorista da Tpm, disse que eu tava parecendo uma pu­ta (o que não acho necessariamente ruim). Primeira parada: Mix Brasil. Sim, na­da como ter a opinião dos amigos gays so­bre um modelo. Achei que todos iam rir de mim, claro. Mas não. “Beee, tá incrível”, diz o Marcelo Cia, companheiro de cafés. Cho­que. “Mas vocês iriam tomar um café comigo vestida assim?”, perguntei. “Claro, bee, tá linda, porque você é magra, você é ma­gra!”, dizia o Marcelo. Logo ele chamou a Su­zy Capó, representante das meninas que gostam de meninas. “Suzy, você pe­ga­ria uma mulher com uma roupa assim?”, in­da­guei. “Claro, só acho que eu jamais teria cha­n­ce com uma menina com uma roupa as­sim.” Meu Deus. A balonê começava a fa­zer sucesso. E eu começava a perder a apos­ta imaginária que fiz contra todo o mun­do da moda.

Fui andando pela rua. Metrô Vila Ma­da­le­na. Dou de cara com dois meninos bem ma­chos. E pergunto, na cara-de-pau, o que eles acharam da minha roupa. “Tá le­gal, viu?” Um deles ainda fez aquele ges­to com as mãos pra mostrar que eu tava gostosa. Eles me comem com os olhos. “Vocês a­cham que eu pegaria na boate com esta rou­­­pa?”, investigo mais um pou­co. “Nossa, e como. Você está, hum, pro­vo­can­te.” De­pois dessa, só posso dizer uma coisa para a Adria­na Bechara, a Vivi e os estilistas que a­cre­ditam nessa in­ven­ção do demo cha­ma­da saia balonê: “Ok, vocês venceram!”. Se os amigos gays aprovaram e os bofes também… só faltava eu apro­var, né? E, não, não a­provei. Me senti uma patricinha. Mas fica aqui o testemunho. Sim, dá pra pegar na bo­­ate usando saia ba­lonê. E, às vezes, va­mos admitir, é só is­so o que queremos, não?

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