Depois de anos ouvindo baixarias nas ruas, decidimos nos vingar. E constatamos: os homens ficam tão sem graça quando ouvem um “e aí, gostoso!” quanto as mulheres!
Por Fernanda Paola
Não totalmente satisfeitas com o manifesto da edição 74, “Já passaram a mão na sua bunda hoje?”, resolvemos nos vingar cara a cara dos marmanjos e suas cantadas grosseiras. Bolamos um plano. Escolhemos um bar movimentado de São Paulo, sentamos seis mulheres numa mesa e levamos dois videomakers com câmeras escondidas para flagrar a reação dos caras. A idéia era: olho por olho dente por dente, ou seja, gritar “e aí, gostoso!” a torto e a direito. “Ah, se eles fazem, nós podemos também!”, diziam as corajosas. Primeira vítima: um loirinho de 20 e poucos anos. “E aí, gostoso!”, soltou Marcela. Ele olhou, deu uma piscadela feliz e parou a poucos metros, observando com vontade de voltar – mas sem coragem para tal. “Não sabemos fazer isso!”, diziam as desesperadas. E é verdade. Gritar “gostoso” é tão constrangedor como ouvir. E, pasmem, para os homens também! Eles ficam envergonhados e desnorteados. Mas também empolgados. Sorrisão na cara, ar de vitoriosos. Talvez por não estarem acostumados a esse tipo de cantada achem isso lisonjeiro. E pode ser. Só depende de como é falada. Não gostamos de cantadas toscas gritadas no meio da rua, mas apreciamos um elogio bem-feito, sim. O vídeo da pegadinha você confere aqui.
