Nem uma a menos

Centenas de milhares de argentinas se manifestaram contra o feminicídio pela primeira vez na história

por Ana Manfrinatto em

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NEM UMA A MENOS - Crédito: Reprodução

"Este desenho é uma das experiências mais fortes que tive como desenhista. Ontem ele se repetia e se multiplicava por todos os lados. Falei com familiares de vítimas que me agradeceram (...) uma caneta, aquarela, um tempinho em uma mesa de Barcelona. Um desenho para dizer algo óbvio. Que as mulheres têm que ser respeitadas. Que coisa tão pequena e tão enorme pode ser um desenho”.

Ricardo Siri, o cartunista argentino Liniers, que desenhou o símbolo da manifestação.

Vista da Praça do Congresso da Nação Argentina - Crédito: La Nación


Uma manifestação sem precedentes na Argentina. Na quarta (3) à noite, mais de 150 mil pessoas foram à Praça do Congresso, no centro de Buenos Aires, pra dizer basta ao feminicídio. A maré humana (formada por uma maioria de mulheres) saiu de casa empunhando bandeiras, vestindo camisetas e gritando, em uníssono: #NiUnaMenos.

A hashtag #NiUnaMenos, que em português quer dizer “nem uma a menos”, nasceu depois de um crime hediondo ocorrido há dois meses. Ecoada por jornalistas, artistas, políticos e celebridades, ela envolveu toda a sociedade argentina e culminou nas mobilizações de quarta-feira não somente na capital como em todo o país.

Não era pra menos. O crime que fez com que tantas mulheres trocassem o nó pelo grito na garganta aconteceu em Santa Fe no último dia 11 de abril, um sábado. Chiara, de 14 anos, grávida, saiu de casa para passear e nunca mais voltou. Ela foi assassinada pelo namorado, de 16 anos, e enterrada no quintal dos sogros com a ajuda dos mesmos.

  - Crédito: Gisele Teixera // aquimequedo.com.br

Segundo a Casa del Encuentro, uma ONG que ajuda vítimas da violência de gênero na Argentina, desde 2008 são mais de 1800 mulheres assassinadas. Na manifestação multitudinária elas mostraram poder para modificar a cultura da violência, pediram estatísticas oficiais e aplicação de ferramentas legais que possam frear este drama e, sobretudo, perderam o medo ou impotência de dizer “eu sofri isso”, “eu sofro disso”.

De acordo com o Portal Brasil, nosso país define feminicídio como crime hediondo a morte violenta de mulheres por razões de gênero. O conceito surgiu nos anos 70 para dar visibilidade à discriminação, opressão e desigualdade sistemática contra as mulheres que, em sua forma extrema, culmina na morte.

Pra terminar, “Antipatriarca”: clipe da rapper franco-chilena Ana Tijoux.

"Não vou ser a que obedece porque meu corpo me pertence //
eu decido meu tempo como quero e onde quero //
independente eu nasci, independente decidi”.

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