Muito além do gênero

Mostra em SP faz homenagem ao cartunista Laerte com curadoria de seu filho, Rafael Coutinho

por Lia Hama em

Tpm / Laerte / Quadrinhos

Mostra em São Paulo faz homenagem ao cartunista Laerte com curadoria do filho dele, Rafael Coutinho
Vai lá: Ocupação Laerte, de 21/9 a 2/11, no Itaú Cultural, avenida Paulista, 149, São Paulo, SP. Entrada gratuita Desde que começou a se vestir de mulher, Laerte se tornou um ícone no debate sobre as definições de gênero e os limites da liberdade individual. Mas é sua trajetória de 40 anos como desenhista,
cartunista e criador de personagens como Piratas do Tietê o foco da exposição Ocupação Laerte, em cartaz a partir de 21 de setembro no Itaú Cultural, em São Paulo. Com curadoria do filho, o também cartunista Rafael Coutinho, a mostra traz 2 mil obras do artista. À Tpm, pai e filho falam sobre ela. 

Laerte

Como foi ter seu filho como curador da mostra? Muito tranquilizante. O Rafael é seguro e determinado, ao
contrário do que podia influenciar a genética. 

Qual é sua expectativa? Fico um pouco nervosa com a ideia de me deparar com uma retrospectiva, um espelho de tempo côncavo. Não tenho muita autoconfiança. Talvez precise de ajuda médica. 

Algo desconhecido será visto? O conjunto do trabalho, ao longo de 40 anos, é algo desconhecido até pra mim. Eu e o público faremos descobertas…

 

Rafael

Como foi ser curador da obra do seu pai? Quero sempre que faça as coisas que servem de homenagem a ele, mas ele tende a dizer não. Meu pai acha que sua carreira não é para tanto, e eu sempre acho que é pouco, então o papel de curador me caiu muito bem.

Que recorte você deu à exposição? Queria que fosse um retrato fiel da carreira dele. É um labirinto pelo
qual o espectador se perderá até encontrar o miolo, a fase atual. É a exposição mais completa dele até hoje. 

Que lado pouco conhecido dele será visto? O Laerte desenhista, por incrível que pareça, é a grande surpresa. Ele ficou muito em foco por conta das discussões de gênero e comportamento e é mais conhecido pelas tiras de jornal, pra quem não o acompanha fora desse contexto será um choque. São poucos os desenhistas brasileiros que produziram tanto. Essa constância deu ao traço dele reflexões com profundidade poética e domínio inigualáveis.

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