Um contêiner esquecido foi o responsável pela mudança da família para o bairro do Sumaré, em São Paulo. “Morávamos em uma casinha de vila. De repente, chega o contêiner cheio que o Alê tinha despachado de Cingapura meses antes. Liguei para ele aos prantos, não sabia o que fazer com aquilo tudo!”, relembra Márcia Lagos, 43 anos, diretora da galeria de arte e design Coletivo Amor de Madre.
Naquele mesmo fim de semana, o chef Alex Atala saiu e comprou uma casa nova. Na semana seguinte, levou a família para conhecer o novo lar. “Só acreditei quando ele me mostrou o controle do portão. Me apaixonei pela casa, pela vista do vale do Sumaré.”
Com 700 m2 e quatro andares, em um terreno acidentado, há espaço de sobra para os gêmeos Tomás e Joana, 9 anos, e Pedro, 17, filho do primeiro casamento de Alex. Também não faltam cantos para os móveis da viagem a Cingapura – e de tantas outras que continuam fazendo – e para os diversos animais do casal, incluindo dois cachorros, duas cobras e uma galinha fugida do restaurante Dalva e Dito.
A casa foi tomando forma aos poucos. “Reformamos essa sala e o jardim há anos, mas só agora finalizamos a decoração do espaço. O Alê adora uma obra. Já temos um projeto para a área dos quartos, mas vamos dar um tempo”, brinca. Com móveis herdados dos restaurantes e do antigo proprietário, o casal completa o estilo da decoração com toques punk rock, dele, e românticos, dela.
Um ponto em comum é o amor pela street art. Diversos grafites dão charme ao extenso deck na área externa. “Se um dia vendermos nossa casa vai ter que ser para alguém que goste muito de arte de rua. Essas paredes não podem nunca ser pintadas!”, finaliza Márcia.
Arte para todos
Faz tempo que a arte extrapolou os domínios das telas – e da parede da sala. O grafite é a prova mais contundente de que a arte pode, e deve, estar exposta a todos. Galerias de arte especializadas no estilo servem como agentes dos artistas, que podem ser contratados para murais personalizados. O preço do metro quadrado varia de R$ 500 a R$ 2 mil, de acordo com a dificuldade do desenho.
• Athena Contemporânea: indica o artista Zezão (negocia por fora da galeria, preços sob consulta). Vai lá: (21) 2513-0239; www.athenacontemporanea.com
• Galeria Choque Cultural: indica os artistas Speto, Chivitz, Presto e Nove (preços sob consulta). Vai lá: (11) 3061-4051; www.choquecultural.com.br
• Matilha Cultural: indica a artista Simone Sapienza Siss (o preço médio é R$ 2 mil). Vai lá: (11) 3256-2636; www.matilhacultural.com.br
• QAZ Galeria de Arte: indica os artistas Vermelho e Fernando Chamarelli (preços de R$ 500 a R$ 1 mil). Vai lá: (11) 2114-6697; www.qazstreetart.com
Herança diversa: Na área de convivência, que dá para o jardim, Márcia senta sobre as mesas que eram do restaurante D.O.M, agora laqueadas de branco. As cadeiras listradas vieram de um antiquário e a cadeirinha de madeira já estava na casa. Vasos do Coletivo Amor de Madre / Créditos: Valentino Fialdini
Suvenires: O sofá Chesterfield de couro veio do D.O.M. Acima dele, prateleiras com lembranças de viagens. O banco de Leo Capote, feito de martelos, é do Coletivo Amor de Madre / Créditos: Valentino Fialdini
Regional mundial: Na sala de estar, a antiga mesa de jantar comprada no antiquário Varuzza virou aparador. Quadro de tecido pintado por índias caiapós. O cesto é de índios baniva. Os abajures também são de antiquário. A cadeira de Zanine Caldas foi herdada dos antigos donos. Os banquinhos são da Coisas da Dóris e a mesinha foi trazida da África / Créditos: Valentino Fialdini
Em seu lugar: Detalhe dos utensílios de cozinha divididos em peças de diferentes procedências: cesto indígena baniva, cerâmica Le Creuset francesa e porta-facas escandinavo / Créditos: Valentino Fialdini
Mundo afora: As catrinas mexicanas foram presentes para as crianças. As máscaras vieram da África e o espelho era de um tio de Márcia. O vaso é L’Oeil / Créditos: Valentino Fialdini
Multiuso: O móvel que abriga as fruteiras e alguns eletrodomésticos era um carrinho de hospital que Márcia reformou e colocou um tampo de madeira. Ele já esteve no D.O.M, já foi mesa no quarto de Tomás e agora está na cozinha / Créditos: Valentino Fialdini
De artista: Na sala de jantar, as cadeiras Sérgio Rodrigues vieram do restaurante. A mesa redonda foi comprada do arquiteto José Roberto Moreira do Vale, que ajudou a repaginar o andar de entrada. O bufê de jacarandá maciço dos anos 50 foi trazido de um antiquário. Acima dele, desenho de Athos Bulcão e foto de Arthur Veríssimo / Créditos: Valentino Fialdini
Cinquentinha: O lavabo foi mantido exatamente como era, com os azulejos amarelos e as louças dos anos 50. Nas paredes, gravuras de pássaros brasileiros / Créditos: Valentino Fialdini
Piso na parede: Na escada que dá para o andar de convivência a parede foi forrada de piso de borracha preta e recebeu quadros de David Escobar / Créditos: Valentino Fialdini
Cozinha caprichada: Ainda na área de convivência, detalhe da cozinha onde Alex faz seus churrascos para os amigos. As máscaras africanas foram pintadas de branco e a passadeira veio de Botsuana. A pintura em cima do forno a lenha foi feita pelo amigo mexicano e artista plástico Felipe Ehrenberg / Créditos: Valentino Fialdini
Miscelânea: Projetada por Augusto Perez, a grande porta de correr foi feita de madeira de demolição e ferragens de galpão. Os lambe-lambes do coletivo MZK ganharam intervenção de Alex Atala, que envelheceu a parede e as gravuras com chá-mate e pigmentos. À direita, grafite do Calma, emoldurado por adesivo da Drug. O lustre era da casa e o sofá foi reformado com couro de um antigo móvel / Créditos: Valentino Fialdini
Arte: Vista do deck, adornado por grafite de Zezão e, em cima, escultura de Vanessa Pedote / Créditos: Valentino Fialdini
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