Meus queridos micos em passeatas

Ano passado tomamos as ruas em apoio ao MPL. E... Caímos em bueiros, fugimos de táxi...

por Nina Lemos em

Relembrar é viver. Ano passado, em junho, tomamos as ruas em apoio ao MPL. E... Caímos em bueiros, fugimos de táxi e até fomos parar em passeatas fake...

“Em junho eu estava de férias fora do país, o que foi horrível porque eu amo passeata. Quando voltei fui a todas. No Carnaval foi a mais absurda. Fui a uma passeata do Não Vai Ter Copa. Em certo momento, vi um policial avisar duas senhoras que estavam ao meu lado que o choque ia chegar. Avisei quem estava perto e saí com elas, para escapar. No caminho, dei de cara com um bloco de Carnaval com vários amigos cantando: ‘Oh, jardineira por que estás tão triste, mas o que foi que te aconteceu?’. Meus amigos me chamaram e fui para o bloco. Ainda falei para eles: ‘Nossa, gente, que loucura, agora mesmo eu estava fugindo da polícia!’. De repente, a polícia chegou no bloco tacando bomba! A banda parou de tocar e o bloco acabou. Todo mundo se escondeu. Foi em um segundo: ‘De, jardineira’ para ‘corre, gente, meu Deus, o que é isso?’.”

Vitor Angelo, jornalista, autor do Blogay e fanático por passeata desde os anos 70.

“Eu estava trabalhando em junho e por isso não podia ir a nenhuma passeata. Convenci uma amiga a ir comigo na Cinelândia depois do trabalho. Saí mais cedo, inventei uma desculpa. Cheguei lá superanimada, achando tudo lindo e emocionada. Até que pisei em um bueiro e caí. Fiquei toda arranhada, chorando. E, na hora de voltar para casa, ainda tive que fugir da polícia. Nunca mais voltei a passeatas depois dessa.”

Fotógrafa que prefere não se identificar porque de mico já bastou o tombo.

“Sou fóbica e tenho síndrome do pânico. Mas senti que era minha obrigação de jornalista ir a uma passeata. Chamei meu amigo Leon Gurfein, 22 anos, cabeleireiro, que nunca tinha ido a passeata na vida. Quando chegamos, achamos bonito e até cantamos: ‘Se a passagem não baixar a cidade vai parar’. Só depois percebi que estávamos na frente da prefeitura. Mas tudo bem. Cinco minutos depois ouvimos bombas e começou a correria. Algumas pessoas gritavam: ‘Sem violência, sem violência’. Nesse momento entramos em um beco e fugimos. Um segurança de loja nos viu e falou: ‘Eu, hein, que covardes, é só ouvir a primeira bombinha que vocês já saem correndo’. Entramos em um táxi e voltamos para casa. Ridículo. Mas mais ridículo ainda foi chegar em casa e perceber que estávamos incentivando a destruição da prefeitura.”

Nina Lemos, editora desta seção, preferiu ir ao comício das Diretas.

“Em junho me empolguei muito com as passeatas. Muito mesmo. Ia a todas do MPL, muitas vezes sozinho. Até que um dia acordei cedo para ir a mais uma. Cheguei lá e não tinha ninguém no lugar marcado. Entrei no Twitter e perguntei: ‘Gente, cadê a passeata?’. Alguém me avisou do óbvio. Eu tinha ido a uma passeata fake.

Pedro Alexandre Sanches, além de ter ido a todas as passeatas, também brigou pelo Twitter com todo mundo que não foi.

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