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Ginástica passivo-agressiva

Nosso convidado testou um aparelho que promete acabar com a barriga apenas com choquinhos. Ele gostou tanto que comparou a sensação à de um orgasmo e queimou a  traquitana por excesso de uso!

Por Renato Crestin | foto Renata Ursaia

Vivemos uma época chata: educação, caráter, inteligência e até mesmo beleza não importam tanto quanto um corpo perfeito. As pessoas estão acabando com a saúde e até com a vida para ter um corpo como o visto na TV. Para denunciar as loucuras que as pessoas fazem em nome do corpão (e tentar ficar com o abdome trincado, porque eu também sou louco), resolvi testar um aparelho de ginástica passiva, aquele que fica dando choques elétricos no corpo enquanto você trabalha, estuda, faz supermercado…

Quando descobri que tinha um desses em casa (meu irmão comprou e nunca usou), fui logo espalhando o gel condutor elétrico na minha pança de cerveja e prendendo o aparelho. Com medo de morrer eletrocutado, apertei o botão e tomei o primeiro choque. Senti uma forte e incômoda contração na barriga que se repetia a cada segundo. A sensação é que funciona de verdade, mas os choques mais pareciam uma forma de tortura de um campo de concentração. Tive a sensação de que aquilo podia me deixar louco e agressivo, mas continuei.

Curiosamente, depois de alguns minutos comecei a achar gostosos aqueles choquinhos, chegando ao cúmulo de comparar as contrações com as de um orgasmo! Não tirei mais o aparelho, só para comer, tomar banho e, pasme, ir à academia. Perguntei ao meu instrutor da musculação sua opinião sobre a ginástica passiva. Ele disse que, por incrível que pareça, funciona mesmo. E que pessoas que ficam meses imobilizadas colocam eletrodos por debaixo do gesso para “exercitar” os músculos que não se mexem. Naquele momento senti o que o comercial da TV me prometeu: minha vida tinha mudado!

Nem liguei para o manual do produto, que fala para usar o aparelho apenas alguns minutos por dia, e fiquei quase 24 horas levando os choques milagrosos. Até que, no segundo dia de uso, o aparelho pifou e eu nunca mais pude me exercitar enquanto bocejava. Também nunca mais fui à musculação, tenho muita preguiça! E continuo com o meu lúcido e invejoso discurso anticulto ao corpo!

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