As festas infantis já foram uma coisa simples, mas hoje viraram um show pirotécnico com direito a chefe de cerimonial. Podia ser mais simples, não?
Por Juliana Sampaio e Laura Guimarães, do mothern.blogspot.com
Esse discurso de “no meu tempo era bem melhor blablablá” é bem careta, mas não dá pra negar que algumas categorias da vida humana andaram mudando mesmo pra pior. Quer um exemplo? Festa de aniversário infantil. Eu não sei exatamente quando começou essa tradição de comemorar o aniversário das pessoas, mas lembro bem que na minha infância isso não implicava um cerimonial tão complexo nem tanta pirotecnia quanto as atuais festas-espetáculo que a gente vê por aí.
Naquele tempo, bastava reunir umas 15 crianças em torno de uma mesa de doces e salgadinhos, providenciar um bolo gostoso com uma vela em cima que, voilà: habemus festam. A brincadeira ficava por conta da natural empolgação infantil, e o simples fato de reunir parentes e amiguinhos já garantia horas de diversão entre a criançada. Hoje, as crianças não sabem mais se divertir sem algum estímulo externo e supervisionamento constante. Os presentes, por exemplo, a gente abria assim que recebia, e quem presenteou podia ver na hora se agradou ou não.
Não me convidem!
Agora você escolhe o mimo com o máximo carinho, mas é obrigada a entregá-lo não para o aniversariante, mas pra uma recepcionista que simplesmente o deposita numa caixa. Lembrança da festa? As lembranças que a gente levava eram a memória das brincadeiras, dos brigadeiros, de um ou outro pega com o primo mais velho. Hoje, as crianças vão aos aniversários já pensando no presentinho que vão ganhar na saída. Daqui a pouco, vamos ter que distribuir Havaianas personalizadas para todos os presentes na festa. Quando esse dia chegar, por favor, não me convidem.
