Escritora mezzo infantil, mezzo para todos, Índigo* lança A Maldição da Moleira, a visão de um recém-nascido sobre o mundo contemporâneo
Todo livro é a mesma coisa. Lá pelas tantas eu paro e me pergunto: espera aí, para quem estou escrevendo? Criança, adolescente, adulto? Parece que tenho um editor sentadinho no meu ombro, sussurrando que preciso pensar no mercado editorial, que não posso me esquecer que o livro vai exigir uma classificação etária, querendo saber se poderá ser aplicado em sala de aula. Até hoje deixei que o editor do ombro direito me convencesse da necessidade de definir essas coisas. E, o que é pior, nunca me dei ao trabalho de ver se havia um contraponto sentadinho no ombro esquerdo. Ah! É uma mulherzinha rechonchuda chamada Inconseqüência Criativa.
Em A Maldição da Moleira, dei um peteleco no editor e escrevi um livro para o qual, até agora, faltando dias para o lançamento, não faço idéia de quem seja o tal público leitor. Quero mais é que os livreiros não saibam onde colocar o livro. Problema deles. Eu conto a história de um bebê que adquire consciência e narra sua vida no berço. Peguei meus questionamentos sobre a vida, realidade e outras complicações e coloquei-os no cérebro de um bebê. Para a trama, utilizei elementos do dia-a-dia de quem não faz outra coisa senão mamar, dormir e ficar de bobeira num berço. Gosto de me cercar de limites, regras e restrições. Dentro de um cercadinho, consigo ir longe.
(*Índigo, 35, é escritora, formada em jornalismo pela University of Minnesota, e mantém o site www.diariodaodalisca.zip.net. É autora de Perdendo Perninhas, 2006, Como Casar com André Martins, 2006, entre outros)
Vai lá: A Maldição da Moleira, 2007, R$ 25, www.livrariacultura.com.br
