Livro reúne vantagens de virar quarentona, entre elas, afirma que você passa a colecionar coisas e levar uma vida mais tranqüila. Como se fosse assim. Alertamos que a obra pode causar depressão grave
Tem coisa mais normal do que ter 40 anos? Se você acha que não, é hora de seguir o conselho de Jarvis Cocker na música “Help the Aged” e arrumar um amante mais velho. E se você está para fazer 40 e anda em crise, por favor, não leia o livro De bem com a Vida depois dos 40. Vai te deprimir mais.
Sim, porque a obra, dirigida para mulheres, é um compêndio de máximas do clichê. O livro é escrito no formato lista e eles enumeram vantagens de ter 40. E aí começa o erro e o pesadelo.
Abaixo, listamos algumas das máximas com nossos comentários. É bom ter 40 anos porque:
Você tem estilo próprio. Mentira deslavada. Estilo não tem a ver com a idade. Conhecemos muita gente de 50 sem estilo.
Você acha as pessoas tranqüilas mais interessantes. Socorro! Isso é quase o mesmo que dizer que quem tem 40 vai se trancar em casa e passar a tarde bordando. Que mulher de 40 anos está livre da alegria de encontrar “a pessoa mais complicada do mundo” e por isso mesmo se encantar por ela?
Provavelmente você gosta de colecionar coisas, sejam esculturas japonesas, rendas antigas ou relógios. Chega! Não vamos comentar mais. Depois disso eles compararam uma mulher de 40 com uma de 100, quer dizer, desde quando uma mulher de 100 anos é assim? A dona Canô não é. Nem a dona Maria Amélia Buarque de Holanda.
Depois disso tudo ainda precisamos dizer por que vamos queimar esse livro correndo, antes que ele queime em nossas próprias mãos e nos machuque?
Ah, e nunca dê esse livro de aniversário. Isso não se faz nem com inimigo. Sério.
Não vai lá: De bem com a Vida depois dos 40, Regan Marie Brown, ed. Verus
