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Amores megaexpressos

Você tem oito minutos para achar o cara da sua vida. Uma invenção que só podia ser americana. Nossa enviada testou a bizarria e atraiu o homem mais esquisito entre todos os que compareceram ao evento

Por Louise Dreier, de Nova York

Oito minutos, oito encontros, US$ 40 e pos­sivelmente o amor da sua vida. É assim que funciona o 8 Minute Da­ting, o maior ser­­viço de encontros re­lâm­pa­go de sol­tei­ros dos Estados Unidos. Di­fe­ren­te dos sites de relacionamento, speed dating permite que homens e mu­­lheres dis­po­níveis se co­nhe­çam em ter­ri­tório neutro e animado, com a ajuda de um me­diador. Até a Miranda do Sex and the Ci­ty já experimentou.
Para participar, é preciso se cadastrar no site, escolhendo a sua cidade e categoria, já que os encontros são temáticos (co­roas, ju­deus, gays, pessoas altas etc.). Des­de que a empresa foi fundada, em 2001, já rolaram mais de 6 mil eventos em 55 ci­dades. Na Chi­na, onde há um número assus­tadoramente de­sequilibrado de rapazes e moças, faz o maior sucesso. Es­co­lhi “profissionais sol­tei­ros”, que me pareceu mais democrático, além de ser o evento mais procurado.

Sininho do capeta
Cheguei ao bar combinado às 19h de uma terça-feira. Senti um baixinho de bo­né para o lado e colar me olhando en­quan­­to a organizadora colava em mim um ade­­sivo que dizia “Hello my name is
We­ezy”. (Apa­ren­temente me confundi na ho­ra de pre­­encher o formulário na internet, co­lo­can­do o meu nome de usuário ín­ti­mo e ri­dí­culo no lugar do nome. Como cas­tigo, pas­­sei o resto da noite explicando que es­se não é o meu nome real.) Era um mau presságio.
Para relaxar e entrar no clima, me dirigi ao bar, onde solteiros de co­rações abertos conversavam desajeitadamente. Achando os ca­ras bizarros (tinha um vestido igual aos Ghostbusters), puxei papo com um grupo de meninas que estava lá para dar apoio moral a uma delas, recentemente sacaneada por um homem mau.

Nenhum segundo a mais
Durante a brincadeira, as mulheres se sentam cada uma numa me­sa e os homens re­vezam, ficando oito minutos com cada uma. Quan­do o tempo acaba, a organizadora toca um sininho e eles são obrigados a se di­rigir à mesa seguinte. Não importa onde es­ti­ver a conversa.
Quando a conversa emperra, não há motivo para entrar em pânico. Atrás da cartela há uma lista de perguntas, tais como: de onde você é, o que você gosta de fazer e qual é o seu esporte favorito. Vá­rias vezes tive vontade de roubar o sininho da organizadora e tocá-lo antes do tempo. Afinal, não se precisa de oito minutos para saber se um cara é chato, tarado ou esquisito. Conforme as instruções, tentei anotar o nome e as respectivas im­pressões causadas na cartelinha providenciada. Enquanto isso, o meu companheiro fazia o mesmo. Ficava pensando: “O que será que ele está escrevendo?”. Parecia Detetive: Coronel Mostarda, no sa­lão de jogos, com a chave inglesa.
Logo que os últimos minutos expiraram, percebi que o esqui­si­to-mor de chapéu e colar vinha atrás de mim: “Weezy! Weezy!”. Fin­gi que não ouvi e saí correndo sem esperar as batatas fri­tas pro­metidas. Hora extra, não! Mas pelo visto um ca­sal se deu bem e ficou conversando até quando não era mais obri­ga­tó­rio. Como não fiquei a fim de ninguém, posso ir ao próxi­mo even­to de gra­ça, mas comprovei que prefiro paqueras mais es­­po­n­tâ­neas. Me­lhor apostar no metrô.

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