Bailarino carioca cria o “personal friend”, em que cobra pra ser seu amigo. Nina Lemos contrata o serviço e, depois de ficar deprimida e levar um tombo, agradece por ter amigos de verdade
Depois do personal stylist, do personal trainer e do personal shopper, o que faltava nesse mundo de serviços absurdos e expressões em inglês? Um personal friend, claro. Sim, personal friend já existe. O mais famoso do momento se chama Toni Sá, tem 47 anos e é carioca. Ele foi descoberto pela Redação por meio do seu site, que vale a pena ser visto, porque é mais hilariante do que qualquer coisa que a gente seja capaz de escrever por aqui: www.tonisa.com.br.
O serviço de um personal friend funciona assim: ele é um amigo que você aluga. Mas não da maneira normal, como costumamos alugar nossos amigos perguntando: “Mas você acha que ele está a fim de mim?”. Um personal friend a gente aluga pagando mesmo. Em dinheiro. No caso de Toni Sá, duas horas de seu serviço saem por R$ 40. Ele, que também é professor de dança, prefere chamar suas clientes de “alunas”. E o movimento do negócio é bom.
Toni tem todas as noites bookadas para acompanhar senhoras em programas como casamentos, bailes, bares, shows e teatros. Ele também é convidado para acompanhar mulheres em compras. “Adoro e dou opinião, sempre fui assim.” Toni não atende homens. “Você já viu dois heterossexuais saírem juntos no Brasil? Isso aqui não existe.” Outra regra é não deixar que o programa vire outro tipo de programa, o sexual. “Isso está claro desde o começo, se alguém tenta alguma coisa, disfarço, mas não dou abertura.” Mesmo assim, Toni assume que seduz um pouco suas “alunas”. “As mulheres precisam se sentir especiais”, solta. Pagar para receber elogio? Triste. Tão triste que parei de achar aquilo engraçado e ainda levei um tombo (tropecei e fiquei pendurada entre as cadeiras do Baixo Gávea, no Rio).
(Tentei) alugar o amigo
Na verdade, tentei alugá-lo daquele jeito normal que sempre faço com os meus amigos. Mas Toni Sá, o amigo de aluguel, não deixou. Ele mal me deixou falar, na verdade. “Falo muito, respondo, pergunto e dou a volta”, justificou. E eu, que também falo muito, fiquei ouvindo na mesa do Braseiro, bar que sempre vou com meus amigos e, claro, local escolhido para levar meu novo amigo. Sim, Toni poderia ser útil para aquelas vezes em que você fala para todos os seus amigos: “Vamos ao Baixo Gávea?”. E nenhum topa. Mas vi que não daria certo. Ele é gentil, sim, e de cara falou que eu era “jovem demais, uma garotinha”. O que não é verdade, mas é sempre bom de ouvir. E ele repetiu esse elogio o tempo todo. Também vestiu o meu casaco em mim (uma coisa que não fazem comigo desde quando eu tinha 10 anos e quem fazia, no caso, era a minha mãe) e tentou puxar a cadeira para que eu sentasse.
Mas acabei ficando irritada, porque ele reclamou do meu cigarro – sei que fumar faz mal e que eu devia parar, mas não é isso o que você quer ouvir quando sai com um amigo para a balada. E também me deu bronca porque eu tomo muito café. “Isso vai fazer mal para os seus ossos.” Meus amigos não me enchem o saco com esse tipo de coisa. E, para sair comigo, eles nem cobram. E olha que eles valem. E muito.
