A não entrevista do mês

A gripe suína, ou a H1N1, é preocupante, mas a paranoia também merece atenção

por Nina Lemos em

Este mês decidimos não entrevistar a gripe suína. Ou a gripe A. Ou a doença H1N1. Só essa confusão de nomes já é o suficiente para que a gente não queira conversar com o vírus que causa essa gripe. Sim, existem mais coisas para fazer no mundo do que ficar discutindo seriamente que nome uma doença deve ter. E não foi isso que a Organização Mundial de Saúde fez?

 

Claro que a doença é séria e que é horrível que pessoas estejam morrendo em todo o mundo por causa dela. Agora, perceberam como a gripe suína, ou a gripe A, ou a doença H1N1 virou motivo para vender revista e jornal? Tanto sensacionalismo nos enoja. Sim, as epidemias acontecem. Sim, os seres humanos ficam doentes. E, claro, um dia as pessoas morrem. Normal.

Cada novo caso causa comoção e pânico. Achamos, sinceramente, que a paranoia é bastante exagerada. E não aguentamos mais receber telefonemas de nossas mães e avós que só sabem falar sobre esse assunto. Achamos maldade assustarem tanto os nossos entes queridos. E sacanagem que a gente seja tão alugado por causa desse vírus.

Também não vamos entrevistar pessoas de máscara. Perceberam que todos os dias os jornais e sites publicam uma foto dessa? Isso nos fez lembrar da época do caos aéreo, quando todo dia víamos uma foto de uma pessoa dormindo em um banco de aeroporto. Não, não queremos contrair a gripe suína, ou a gripe A, ou a doen­ça H1N1. Mas não aguentamos mais falar sobre esse assunto. Então, você não lerá nesta revista nenhum ma­nual com as dúvidas mais frequentes nem o número de casos, nada disso. Estamos mais preocupadas com outra doença grave que atinge a humanidade: a paranoia.

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