Luiz Alberto
Mendes
(1952-2020)

O escritor e colunista da Trip
aprendeu na prisão a ler,
a estudar e os valores que
levou até o fim de sua vida

Foto: Gabo Morales/ Trip

Luiz Mendes atravessou
muitas batalhas em seus
67 anos, transformando cada
uma delas em um momento de
vitória ou de aprendizado

Sua vida errática, história
repetida da desigualdade
cruel em que vivemos, o levou
a passar mais de três décadas
na cadeia, onde entendeu que
o crime ficaria no passado

Foto: Gabo Morales/ Trip

“Quando eu fui preso,
eu tinha 19 anos.
Eu conhecia o meu bairro
e o Centro da cidade e mais
nada. E estava preso pro
resto da vida. Minha pena
ultrapassava 100 anos,
chegou a 132 anos”

“Eu aprendi a ter compaixão
pelos outros sofrendo. Eu
podia passar aqui e falar:
'Que lugar filho da puta,
que lugar desgraçado'.
Que eu vim aqui sofrer,
e sofri pra caramba”

“Mas foi aqui que eu
aprendi também. Foi aqui
que eu aprendi a ler, foi
aqui que eu aprendi a
estudar, foi aqui que eu
aprendi os valores que eu
tenho. É incrível. O que
eu aprendi de bom, eu
aprendi aqui dentro”

Foi na cadeia que Mendes
se alfabetizou, aprendeu
a ler e escrever e se tornou
o primeiro preso a cursar
uma universidade no estado
de São Paulo, em 1982

“Eu cheguei a ser professor
dentro da cadeia durante 10
anos. Alfabetizei trocentos
caras dentro da cadeia. Um
monte, um monte de pessoas.
Acabei na Casa de Detenção
sendo o responsável pela
escola, uma escola com
900 alunos e 25 professores”

Mesmo encarcerado, ele se tornou cronista, escreveu contos e
publicou ainda lá sua primeira
obra, “Memórias de um sobrevivente”
(2001), pela Companhia das Letras

Nas páginas da Trip, por
19 anos Mendes dividiu com
o mundo suas vivências e
aprendizados, em grande parte
trazidos de dentro dos muros

Foto: Ali Karakas/ Trip

Desde memórias de quando
chegou, embrutecido, até
episódios de ternura, como
no momento em que foi
voluntário no tratamento
de doentes no meio da
epidemia de AIDS na cadeia

Foto: João Wainer/ Trip

“Prisão é uma monstruosidade.
Isso de recuperação social
é conversa fiada. Te colocam
em uma jaula e não oferecem
nada em troca”

Foto: Ali Karakas/ Trip
Foto: Ali Karakas/ Trip
Foto: Ali Karakas/ Trip

Quando deixou a cadeia,
em 2004, Mendes usou sua
história para ajudar a
sociedade, em aulas,
palestras e em projetos
que desenvolveu voltados
para outros ex-presidiários

Foto: Gabo Morales/ Trip
Por seu trabalho, o escritor
recebeu em 2016 o prêmio Trip
Transformadores, quando contou
como sua trajetória o transformou
em uma inspiração para tantas pessoas
Foto: Trëma/ Trip

“Eu aprendi que não
havia nada no mundo mais
satisfatório do que dar
às pessoas aquilo que elas
necessitavam. Era uma
coisa muito satisfatória
e que preenchia a alma”

“Eu sou uma pessoa que
gosta de gente. Acho que
é o que me define. Que me
apaixonei por gente. Não
consigo mais viver sozinho”

Mendes morreu aos 67 anos,
em abril de 2020, e deixou
suas palavras e suas ideias
eternizadas em seus textos

Foto: Gabo Morales/ Trip

Conteúdo que transforma

Foto: Jorge Bispo/ Trip
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