"Eu vim aqui pra te ver", a frase atribuída a Gisele Bündchen seria para Kelly Slater, enquanto este afortunado disputava a etapa americana do mundial de surfe em Trestles, Califórnia. Sobraram especulações a partir da inesperada visita da modelo, mas amigos do agora heptacampeão dizem que são infundadas.
Quem não quer ver o maior fenômeno do surfe em ação? Em Santa Catarina nos últimos dias foram milhares de pessoas na areia além de milhões que acompanharam ao vivo pela internet e pela TV. Mas o show não foi o que se esperava. Pelo terceiro ano consecutivo as boas ondas que rolam em Florianópolis e na região não deram as caras no Nova Schin Festival, e Slater teve que amargar uma nona colocação na prova e ficar na torcida para comemorar seu sétimo título da arquibancada.
Deu certo, graças ao australiano Nathan Hedge, o responsável pela eliminação de Andy Irons, seu único rival nos últimos anos. Desde que voltou ao tour em 2002 Slater teve o havaiano como o homem a ser vencido, e demorou para consegui-lo. Não à toa Slater considera este o título mais importante e difícil da sua carreira e também o seu melhor ano no circuito. Diz que agora vai ao Havaí de férias e faz segredo sobre sua permanência no WCT em 2006.
Quanto aos competidores brasileiros, esperava-se mais, especialmente considerando as condições das ondas, características de beach break com as quais estamos mais bem-adaptados. Dos 20 que iniciaram a prova, graças às inúmeras ausências de rankeados, apenas dois estavam entre os 16 melhores, mas, foram longe. Raoni Monteiro chegou à semifinal e viu suas chances de permanecer na elite em 2006 crescerem, ocupa agora a 30º posição e vai ao Havaí motivado pelo seu melhor resultado no WCT. Victor Ribas disputou a final com Damien Hobgood e perdeu por décimos, mesmo assim com a avaliação atribuída a uma das ondas do americano contestada. O resultado o levou ao 14º lugar e à garantia na elite por mais uma temporada.
Com ou sem Gisele, Slater não tem do que reclamar do Brasil. Teve a torcida do seu lado desde o início. "Se vencesse em casa não teria tudo isso. As pessoas comemoraram como se eu fosse brasileiro."
***
Quem também esteve em Floripa foi Bob Burnquist, para assistir e surfar com o amigo Slater. Depois veio a São Paulo para, no final de semana, vencer a etapa brasileira do mundial de skate na modalidade vertical. A prova do World Cup of Skateboarding no Ginásio do Ibirapuera lotado pode ser considerada o campeonato de mais alto nível disputado no Brasil. Apesar da escassez de atletas gringos, os brasileiros deram conta do recado e mantiveram a reputação de segunda potência mundial do carrinho.
No pódio, entre os três primeiros, os brasileiros Bob, Rodrigo Menezes e Sandro Dias, havia cinco títulos mundiais acumulados. Entre os estrangeiros, Neal Hendrix e Max Dofour mostraram um skate sólido e estilo polido, mas não tiveram vida fácil para chegar entre os finalistas.
De resto o que impressionou foi a vibração do público, que ia ao delírio quando os atletas se arriscavam nas manobras e comemorou pra valer a vitória de Bob e o terceiro título mundial de Sandro "Mineirinho" Dias.
NOTAS
Corrida de aventura
Começa segunda-feira na Nova Zelândia a Southern Traverse, prova que tem a assustadora média de 80% de desistência. A competição vale como a final do mundial da ARWC e terá três times brasileiros.
Mundial de kitesurfe
Começou ontem em Fortaleza, CE, o SuperKite Brasil 2005, etapa final do circuito. São 88 inscritos para as modalidades freestyle e wave, a prova termina domingo.
Skate brasileiro nos EUA
Lincoln Ueda é destaque na matéria de capa do Wall Street Journal que trata do crescimento do esporte e a influência brasileira. E neste sábado na Califórnia tem a pré-estréia do filme "A realidade de Bob Burnquist", dirigido e protagonizado pelo brasileiro.