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O produtor musical BiD, líder da banda Funk Como Le Gusta, vai ao Chile desvendar um Valle Nevado sem neve.

Era uma sexta-feira e o telefone tocou novamente. Fui atender e não era o meu amor – mas uma proposta irrecusável. A TRIP propunha uma viagem de cinco dias para o Chile, mais especificamente para Valle Nevado, estação de esqui que no inverno alimenta os famintos por esportes nevados. O trampo seria registrar as atividades do verão. Já era hora de escapar de Sampa e lá fui eu.

Após uma turbulenta aterrissagem, chegamos a solo chileno. Uma van nos levou a um hotel no centro de Santiago, com pisco sour servido logo na recepção. Meio tonto, aproveitei para rever meus amigos da banda Chancho en Piedra, o DJ e produtor Raff e a MC Anita, do extinto Makiza (que rapeou no CD do Funk Como Le Gusta), e, claro, para caçar discos. Refeito, dia seguinte, às nove da matina já seguia viagem para Valle Nevado. No trajeto, o guia Jorge Samsonite (o cara era uma mala) nos instruiu para que olhássemos sempre para um lugar fixo, nas curvas: assim, não vomitaríamos. Funcionou.

Almoço concluído, saímos para uma caminhada. A altitude incomodava: sentia a cabeça pesada, uma pressão esquisita. Bacana era caminhar pela pista de esqui e ver a vida por baixo da neve – flores, riachos e uma vegetação diferente, que renascia. Na volta, armei a cadeira no terraço do hotel e fiquei olhando o nada nas montanhas que lembravam Cabul. E, ao som de Peter Legalize It Tosh, vindo do meu computador de bordo, infringi a lei…

UM PISCO E UM SORRISO
Na seqüência, outro rolê. O esquema foi um passeio a cavalo pelas montanhas, às margens do rio Cepo. Não deu outra: três horas depois, acabamos na beira do rio com um piquenique à base de churrasco de pescado – e vinho tinto. Então entendi o que fazer nesse lugar, fora esquiar. Ao chegar, capotei.
No último dia, a atividade era hikking: partimos cami-nhando sempre para cima. Quando finalmente chegamos ao topo… pooorrrra! Uma doideira, a 4 mil metros, visual incrível. À tarde, voltamos a Santiago. Ao chegar ao hotel, jantamos e desfrutamos – de quê? – dos mais agradáveis vinhos tintos da América. Noite livre, aproveitei para comprar 12 garrafas. O encerramento, em grande estilo, foi um almoço no Mercado Antigo. Lugar bizarro com frutos do mar dos mais frescos – um capítulo à parte no Chile, onde há mais de 12 tipos de mariscos e outras delícias, sempre acompanhados de… um bom vinho.

Sentido aeroporto, missão cumprida, volta à realidade. Logo na chegada, São Paulo já me saúda com kombis e céu cinzento, trânsito e bandidagem. A real fica mais fácil quando encarada com um bom vinho chileno. Com ou sem neve. (BiD)

De cima para baixo: hikking a 4 mil metros de altura; visual alucinante; passeio à cavalo pelas montanhas rumo a um piquenique às margens do rio Cepo; e caminhadas pelas pistas de esqui onde podia-se ver a vida por baixo da neve

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