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Todos pela educação

Na última sexta-feira, convidado pelo Instituto Ecofuturo, estive em uma megarreunião. Acho que simpósio ou seminário, cuja temática era “Todos pela educação”. A conversa era sobre a educação que precisamos para o país que queremos.

O ministro da Educação afirmou que ninguém mais que o professor está interessado em melhorar a educação. O filósofo Eduardo Gianetti esbanjou sabedoria e encantou a todos com a lucidez de seu raciocínio. Ele mostrou, de modo estatístico, que gastar mais não resolve o problema da educação. A Austrália triplicou seu orçamento com Educação de 1980 para cá; os Estados Unidos duplicaram no mesmo tempo, e a qualidade do ensino nesses países não aumentou. Na Suécia o resultado ficou mais claro. Aumentaram em 35% a verba da educação e a qualidade piorou 7%. A experiência ensinou que aumentar o horário de aulas também não resolve. Aumentando em uma hora, resultou em apenas 1% no aumento de rendimento dos alunos.

Os estudos indicam que o que a família oferece a seus filhos é o fator mais importante para o sucesso da criança na escola. Segurança e tranqüilidade são fundamentais. As estatísticas indicam que os asiáticos têm mais sucesso na escola que os ocidentais. A cultura e a estrutura familiar deles transmite mais segurança e tranqüilidade a seus membros. Suas crianças e adolescentes não cultivam ansiedade, estruturam-se em outros patamares.

No Brasil, planejamento familiar é fundamental. Já não é possível conviver com mais de 2 mil partos de mães adolescentes por dia, somente em São Paulo. E esse é o estado mais rico do país, imaginem os outros. Que estrutura familiar e, portanto, que segurança e tranqüilidade podem oferecer essas mães? Há mais de 54 milhões de menores de 15 anos e 37 milhões de jovens no ensino fundamental. Um país de jovens.

Há também a questão de os diretores de nossas escolas serem colocados por indicação política. Em geral, são professores sem formação de gestores e que, por conseqüência, metem os pés pelas mãos constantemente. Aprender fazendo não é o melhor método de aprendizado. Formação é fundamental.

Concordamos que se queremos educação de qualidade para todos, precisamos ter todos lutando pela qualidade da educação. Estou incluído. Preocupo-me com a educação nos presídios. Saí de lá há quase quatro anos convencido de que existe muito mais ignorância e estupidez do que maldade e crime de fato. E o que mais faz falta é educação de qualidade e projetos de ações sociais e culturais dentro dos presídios.

Preocupo-me com a educação nas escolas. Tenho dois filhos freqüentando as escolas do Estado. Estou envolvido com o processo educacional, uma vez professor, professor para sempre. Creio que deveríamos todos incorporar ao nosso comportamento, atitudes de promoção de educação e cultura. Somente com todos mobilizados conseguiremos avançar.

Para alcançar a educação que o Brasil precisa, das 5 metas específicas estabelecidas pelo “Todos pela educação” a serem atingidas até 7/9/2022:

Meta 1. Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola.
Meta 2. Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos.

Meta 3. Todo adulto com aprendizado adequado a sua série.
Meta 4. Todo jovem com o ensino médio concluído até os 19 anos.
Meta 5. Investimento em educação ampliado e bem gerido.

Essas metas existirão para servir de direcionamento para que todos os brasileiros possam acompanhar e cobrar melhorias na educação. O tempo exige de nós responsabilidades para com as próximas gerações. Vencer o desafio educacional brasileiro passa pelo compromisso e pela ação de todos e cada um. Se somente nos tornamos capazes quando é necessário ser, talvez, em 2022, possamos comemorar não só a nossa independência como país, mas nossa independência também como nação.

* Luiz Alberto Mendes, 54, autor de Memórias de um sobrevivente, ficou 30 anos guardado. Solto, tem muita história para contar. Seu e-mail é lmendes@trip.com.br

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