Sexta-feira, 21, Tim Festival, dez da noite. O jazz de Wayne Shorter Quartet no palco do Tim Club, o country rock do Kings of Leon no Tim Stage e o rock experimental de M.Takara 3 no Tim Lab. Tudo ao mesmo tempo. O entusiasmo inicial com a lista de artistas escalados para a edição carioca do festival dá depois lugar à frustação de não conseguir assistir a todos os shows que se gostaria ou ainda um pouco de tudo e nada por inteiro. Grandes festivais têm dessas inconveniências. Mas reclamar é uma injustiça. Não é sempre que De La Soul, Elvis Costello ou Strokes tocam por aqui. Dos três, aliás, só o primeiro já havia se apresentado no Brasil. Aqui uma geral das três noites e quase 30 horas de música do festival no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro:
Nesse ano, os seguranças circulavam com mais afinco pela platéia, mas pareciam mais preocupados em evitar a presença de entorpecentes do que a onda de roubos de celulares e câmeras fotográficas digitais registradas na última edição do festival, em SP. Ainda assim, a patrulha ajudou a evitar esses furtos.
Entre os ilustres que andavam por ali, Perry Farrell, ex Porno For Pyros e Jane´s Addiction, que discotecou no festival, esperava pelo show dos Strokes encostado no bar, enquanto Drew Barrymore, a namorada do baterista da banda, o brasileiro Fabrizio Moretti, andava pela platéia. Cut Chemist, DJ do Jurassic Five, que se apresentou em versão solo no festival, também circulava livremente por lá. Caetano Veloso foi um dos poucos que assistiu a performance non-sense de Jamie Lidell, um dos pontos altos do festival, com sua soul music eletrônica. O cantor também se misturou à platéia para assistir ao show do ator, diretor e roteirista Vicent Gallo, cercado por um público que parecia mais interessado na sua figura polivalente do que em suas baladas.
O De La Soul abriu a noite para a cingalesa M.I.A e o inglês Dizzee Rascal. Uma injustiça. O trio marcou o fim dos anos 80 com seu discurso pacifista, incursões jazzistas e psicodelia, enquanto a maioria dos artistas de rap cediam aos apelos do gangsta. Não mereciam apenas os 40 minutos de show ou introduzir nomes que ainda estão se firmando.
O Wilco impressionou. Banda afiada que merece registro ao vivo. O Arcade Fire, sem dúvida, reuniu os fãs mais emocionados do festival, que cantavam em coro as canções do septeto canadense. O Kings of Convenience também se destacou por seu público fiel, apesar de pouco conhecido no Brasil. Em um show extremamente intimista, a dupla chamou a atenção – com razão – do público que conversava alto no momento de sua apresentação, atrapalhando a concentração da dupla e a dos fãs fiéis que se aglomeravam perto do palco. “Vamos combinar de nos encontrar em frente à praia de Ipanema, terça, às quatro da tarde, para um show?”, perguntava para o público próximo ao palco, em uma alfinetada aos que falavam alto durante o show.
Nas pistas, Cut Chemist, pesquisador afiado e autoridade das picapes, mostra o resultado da suas pesquisas em sebos sem se esquecer que está ali para entreter o público. Diplo, DJ e namorado de M.I.A, recebeu Mr Catra e juntou miami bass com funk carioca, o que só aumentou a boa recepção do público. A dupla Body & Soul mostrou por que é responsável por uma das festas de house mais famosas do mundo.
As desnecessárias cadeiras do show do Television e Elvis Costello foram ignoradas por boa parte da platéia, que se juntou a eles perto do palco.
Esse ano o festival juntou novos nomes do rock – Kings of Leon e Strokes –, novas tendências do hip hop – M.I.A e Dizzee Rascal –, nomes do público independente – Arcade Fire e Wilco –, num painel democrático de tendências. O público sempre comparece.
Veja aqui a resenha de nossos shows preferidos dos três dias de festival
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