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Spyro Gyro

Evitando o petróleo, duas invenções apostam no vegetal para mover motores. Uma à base de óleo de fritura e outra acelerada pela erva danada

POR ALINE RIDOLFI

Como quase tudo na natureza, a idéia de Justin começou numa
semente. Dela surgiu o óleo que abasteceria os tratores usados na agricultura em comunidades africanas. O primeiro produto era completamente inviável: simplesmente três vezes mais caro que o diesel. Mas a idéia não morreu. Justin Carven, jovem e incansável universitário norteamericano, resolveu fazer algo pelos africanos, que trabalhavam semanas para única e exclusivamente abastecerem seus tratores. O óleo
vegetal ainda martelava em sua cabeça, apesar do preço. Aliás, óleo é óleo, não é mesmo? Sujo ou não, a viscosidade é a mesma e esse é o fio da meada. Justin passou a coletar gordura usada em restaurantes e a partir do lixo viu sua idéia decolar. Segundo o cientista, o combustível alternativo precisa ser filtrado e livre de água, e só. Qualquer tipo de óleo vegetal pode ser usado em motores adaptados pela Greasecar, empresa de Carven, que vende mais de mil kits por ano.
“Estamos negociando a comercialização desse sistema em Goiânia. Mas, como a conversão só pode ser feita em carros movidos a diesel, acredito que não vamos ter muito sucesso no Brasil”, reflete. O motivo de adaptar só motores a diesel é tecnológico: “A volatilidade dos dois combustíveis, óleo e gasolina, é muito diferente”, explica. Questõesquímicas à parte, fato é que a idéia mirabolante, em tempos de aquecimento
global, quebra um galho. Além de ser barato, o combustível vegetal é renovável e libera menos poluentes que os derivados do petróleo.

ESQUADRILHA DA FUMAÇA
Pegando carona em idéias alternativas, o Hempcar é uma das mais pitorescas alternativas para o combustível secundário.
A erva que antes abastecia e expandia pensamentos hoje enche
o tanque. Como revela o nome, o Hempcar é movido a óleo de
cânhamo. A trupe responsável pela invenção atravessou mais
de 13 mil milhas por Estados norte-americanos exibindo a idéia
e colecionando, na mesma intensidade, fãs e inimigos. Apesar
de alegar que a “maconha comercial” não tem propriedades
psicoativas, a equipe defende a produção em larga escala e,
principalmente, a legalização da verdinha. Afinal, ao menos a
fumaça do carrinho deixará o ambiente mais leve.

VAI LÁ: Para converter seu motor a diesel entre em www.greasecar.com. Ficou
interessado no combustível psicotrópico? Visite: www.hempcar.org

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