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Sonhos curtos

Ano passado fui jurado do 5° concurso de redação “Ler é Preciso”, cujo tema era “A Conquista de um Sonho”, promovido pelo Instituto Ecofuturo em todas as escolas de ensino fundamental do país.
Entre os vários objetivos do concurso, o que mais me interessou foi saber o que sonhavam as crianças do Brasil. A experiência foi enorme. Aprendi muito lendo essa gente miúda. A simplicidade com que nos falam de suas vidas, sonhos e desejos, é algo que me deixou encantado. Creio, em sintonia ao mestre Graciliano Ramos, que a palavra foi feita para dizer e não enfeitar com brilho falso. Mas o que surpreendeu deveras foi o conteúdo. No geral, seus sonhos eram curtos. E o que mais entristeceu é que profundamente influenciados pelos modelos de sucesso das novelas da tevê. Sonhavam com conforto material e traziam preocupação profunda com relação aos pais e familiares. Queriam cuidar deles, proporcionar-lhes vida material mais confortável, qual lhes fosse missão intransferível.

O que se pode concluir é que as crianças estão sonhando curto porque têm medo do presente e projetam esse medo no futuro. A convivência com miséria, violência e ignorância encurtou seus objetivos, ideais, diminuindo, em conseqüência, suas esperanças de alegria, aventura e felicidade na existência. Recebi hoje o livro recém-publicado pela Ecofuturo: “A Vida que a gente quer depende do que a gente faz”. Neste livro esta registrada a palavra de especialistas e escritores (no qual fui incluído com o texto “Investir é preciso”), a partir da leitura do livro “Somos e Queremos”, publicado no ano passado pela Ecofuturo, onde constam os 60 textos mais representativos daquele concurso.

A sexta edição do concurso já está no ar em todas as escolas do Brasil. Desta vez ampliando para mais três categorias: o Ensino Médio, Jovens Adultos (incluindo as escolas de supletivo das prisões) e os Professores. A tentativa é de abranger a todos. O tema é exatamente o título do livro “A Vida que a gente quer depende do que a gente faz”, interligando ao concurso nº 5 do ano passado. A divulgação das oito metas do milênio da ONU e a esperança que isso pode nos comunicar enquanto humanos, estão na base da escolha do tema. Nada mais urgente e necessário. Participarei mais ativamente desta vez. Talvez no júri, caso seja convidado, mas com certeza nas prisões, onde já estou com tudo pronto para realizar Oficinas Literárias em complemento e incentivo ao concurso. Vamos ver o que nos reserva de surpresas e novidades este ano. Estou ansioso para iniciar minha parte.

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