Logo Trip

Silvio Santos agita a mídia, para o bem e para o mal (2)

Banalidades em tempo real

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

Esta é a segunda parte do texto sobre a repercussão da coluna de 26 de março, que dizia como palpita o assunto Silvio Santos e toda a chacoalhada, para o mal e para o bem, que tem conseguido produzir no cenário mediático da nossa terra.

Na semana passada, falei do histórico de camelô e vendedor, de seus tempos de locutor da balsa Rio-Niterói, ter servido de treinamento intensivo para a chegada da era da informação; de como a Globo não se preparou para isso, preferindo investir em estúdios fantásticos no meio da Mata Atlântica, de onde imaginava produzir programas planejados, retocados, dirigidos e redirigidos, enquanto S.S. viajava a Miami, corria feiras de entretenimento, copiava em videocassetes de hotéis fórmulas toscas que lhe pareciam viáveis, voltava para a Vila Guilherme, alugava sofás da Tok & Stok , ligava as câmeras e punha no ar, do jeito que desse…

Figurinhas de segundo escalão

Enquanto a Globo preparava cenários, selecionava entre milhares de candidatos a celebridades perfeitas, treinava técnicos, produzia figurinos, penteava cabelos e preparava esquemas milionários de edição de dezenas de câmeras em segundos, S.S. alugou a casa do vizinho, chamou gente que estava no mercado dando sopa, figurinhas manjadas do segundo escalão artístico nacional (há um primeiro?), meteu meia dúzia de câmeras atrás dos espelhos de cada cômodo, e parou o País para torcer por Bárbara Paz e Supla, uma versão canhestra e do avesso da dama e o vagabundo.
Mais do que tudo, de novo sem saber e, pior, sem querer, Santos prestou um bom serviço à comunidade com sua concessão federal. Mostrou que por mais que agentes, assessores, promoters e que tais se esmerem atrás de Tiazinhas, Feiticeiras, Núbias, Frotas, Xis e Nanas, há gente acordando descabelada e inchada, falando besteira, chorando à toa, cheias de inseguranças, morrendo de medo e de tesão por estar vivo.

Quantas meninas cegas de admiração pela perfeição das formas da Feiticeira não se depararam com a realidade através desse programa? Interessante observar que os vencedores escolhidos pelo público são os que melhor conseguiram domar seus instintos animais e que deixaram vir à tona suas fragilidades, resistindo menos a elas.

Movimento dos sem bafo

Enquanto isso, a Globo insiste em fabricar clones, gente de plástico que não tem bafo, não se despenteia, para quem o mundo é uma eterna matéria de ‘Caras’. Joga (e perde aos poucos) todas suas fichas no mundo da fantasia, em que todos os casais seriam William Bonner e Fátima Bernardes, num cenário de propaganda de Margarina, alimentando trigêmeos sorridentes e rosados. Seus poucos especialistas em tempo real, como Faustão, lentamente são apagados e transformados em repetidores de bordões e criaturas infelizes com o que fazem.

Quem sabe alguém lhes transmite um e-mail com a crise de risos que acometeu Lillian Witte Fibe recém-liberta da fábrica, durante uma transmissão do noticiário que apresenta na Internet. Quem viu teve uma experiência inesquecível sobre o que é a era do tempo real. A mesma, diga-se, que não permite mais à Enron ou a Maluf, que escondam suas mazelas por muito tempo como podiam fazer antes.

Para quem sentir no artigo acima uma homenagem, ainda que remota, ao uso que Silvio Santos faz de sua concessão federal, peço que leia a coluna de 26 de março. Uma não existe sem a outra.

PALAVRAS-CHAVE
COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon