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Sexy Boy

Por Filipe Luna

Ele pode até não aparentar, mas o rapaz da foto é o 15º homem mais sexy da Suécia. Pelo menos era, há dois anos – caiu de posição até sumir definitivamente da lista este ano. Apesar de não ligar muito pra isso, Jens Lekman não gosta de falar do assunto. Difícil voltar a ser uma pessoa normal depois de ser o 15º homem mais sexy da Suécia, seja lá o que isso signifique.

Brincadeiras à parte, o garoto não é apenas um rostinho bonito. Aos 25 anos, Jens é uma das grandes apostas e um dos queridinhos da música indie – em especial do site pitchfork. No Brasil para se apresentar em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo na turnê Invasão Sueca (junto com os compatriotas Hell on Wheels e El Perro del Mar), Lekman traz um pouco da sua irônica e bem-humorada melancolia na bagagem.

Começando cedo, aos 21, sob a alcunha de Rocky Dennis, logo conquistou sites de trocas de mp3 com o single “Maple Leaves”. Assassinando o vulgo e assumindo definitivamente seu nome de batismo, arrebatou a crítica com seu álbum de estréia, “When I Said I Wanted to be Your Dog”.

Histórias curiosas, gracinhas, ironias e desespero apaixonado permeavam suas canções levadas por violão, alguma orquestração e samples esquisitos. Nada muito distante de Morrissey, dizem alguns. Mas não fale isso para Jens. O melancólico trovador inglês representou o que ele menos gostava por um tempo em sua vida. Mas calma, isso passou já. Hoje ele gosta.

Para saber um pouco mais sobre o rapaz e sua “treta” com o ex-vocalista dos Smiths, a Trip conversou com Jens da distante Suécia por telefone:

Que imagem você tem do Brasil? Tenho uma imagem muito clichê do país, igual a que tenho do Japão ou Islândia ou qualquer outro lugar que fui. Acho que as pessoas aí vivem dançando, vestidas em roupas coloridas.

Você espera encontrar isso aqui? Acho que não, mas o que descobri viajando é que todo lugar a que fui tinha um pouco do clichê que não imaginava que seria real. Quando fui para a Finlândia, por exemplo, todos eram muito calmos, andavam com facas, tomavam doses pouco saudáveis de uísque ou vodca, ficavam muito bêbados e arrumavam brigas. Esse era o meu clichê da Finlândia. Na Austrália, não queria que eles fossem surfistas que lutam com crocodilos, mas era o que eles pareciam ser [risos]. Mesmo os bibliotecários mais magrinhos, colecionadores de discos, falavam assim: “É, eu coleciono discos e trabalho numa biblioteca, e também luto com crocodilos” [risos].

[risos] E o que você espera do brasileiro? Acho que são pessoas legais. Vai ser muito interessante ver se o clichê é verdadeiro.

Você gosta de viajar? Sim, adoro. Odiava no começo porque odeio voar. Mas agora eu adoro.

Qual o lugar mais estranho que você já foi? Não fui para tantos lugares estranhos… Bem, Jackson, no Mississipi (EUA), foi um lugar bem estranho de uma maneira ruim.

Por quê? Acho que é uma cidade famosa por ter os piores tipos de caipira. A primeira coisa que aconteceu foi quando entrei no clube e esses caras disseram: “Ei, viado, tudo bem?”. E eu respondi: “Oi”. Daí quando comecei a cantar eles ficaram jogando garrafas em mim e gritando: “Viadinho! Viadinho!”. Um cara veio, baixou as calças e fez um bundalelê para mim. Estava bem hostil, até que, do nada, apareceu um cara com um sombreiro enorme e disse: “Ei, vocês deviam respeitar o homenzinho e sua guitarra”. Então todos se calaram e começaram a bater palmas. Depois vieram até se desculpar.

Essa foi a reação mais estranha de uma platéia? Hum, essa foi bem estranha, foi uma das piores. Nunca tinham jogado garrafas em mim. Bem, já jogaram outras coisas. As pessoas costumam jogar analgésicos em mim.

Sério?! Começou há uns dois anos. Um pessoal fez isso porque queria jogar algo em mim e era a única coisa que tinham [risos]. Eu interpretei isso como uma forma de parar a dor ou algo assim. Não sei se foi tão profundo.

Você se considera uma pessoa dramática? Eu diria que sou uma pessoa muito emocional e isso aparece da forma errada, às vezes.

Como? Você não quer saber [risos]. Não, eu tenho… Bem, de que maneira você diz dramático?

Assim, quando coisas importantes acontecem na sua vida, você as sente profundamente? Sim. Eu apenas não consigo realmente me relacionar com a profundidade que as outras pessoas sentem. Acho que isso me torna dramático.

Você comete loucuras? Sim, definitivamente faço algumas coisas loucas. Lembro, por exemplo, de quando escrevi uma música para minha amiga Lisa, “Happy Birthday, Dear Friend Lisa”, fiquei na janela dela cantando a música. Só que ela mora num prédio de 16 andares, e eu não sabia que ela morava no décimo andar e não podia me ouvir. Mas a vizinhança podia me ouvir…

E o que eles acharam da música? Odiaram [risos].

O que mudou na sua vida depois de ser escolhido o 15º homem mais sexy da Suécia? Bem, primeiro devo te dizer que isso já faz dois anos.

Eu sei. Qual sua posição agora? É, não queria falar nisso [risos]. Ano passado eu caí para a 33ª posição e este ano nem apareci na lista.

Mesmo? Que pena…
Não, tudo bem. Eu estou trabalhando para mudar isso.

Ficou surpreso de aparecer na lista da primeira vez? Sim, muito surpreso.

Você se preocupou em manter a posição?
Sim, mas o que aconteceu foi que… A razão pela qual eu caí tanto, minha razão oficial, é que não fiquei nenhum dia na Suécia ano passado. Não posso aparecer na lista se nem estou na Suécia, sabe?

Você se considera uma pessoa sexy? Provavelmente mais agora do que antes. Antigamente, não.

Aparecer na lista fez você mudar de idéia? Não. A definição de sexy da revista Elle é meio diferente da minha. Acho que eles estavam pensando mais que eu era sexy porque tinha uma boa voz, tentaram pegar um sex appeal mais abstrato.

E qual sua definição de sexy?
Agora não tenho muita certeza. Pergunte-me isso depois que eu voltar do Brasil.

[risos]. Ok. É verdade que você apanhou de uns fãs de Morrissey? Não apanhei, mas eu não era bem-vindo na gangue deles. Eles não são violentos. É diferente na Suécia. Morrissey é muito popular aqui. Meio como Robbie Williams, sabe? Todo mundo adora ele. E ninguém o reconhece como um excluído, mas como um cantor. Conhecem as canções, mas não do que elas tratam.

É interessante porque as pessoas no Brasil que gostam de Morrissey provavelmente gostariam da sua música. É, e eu até ouvi alguns de seus discos e gostei, é ótimo. Quando tinha 16, 17 anos, eu odiava porque era a música que as pessoas que pensavam que eu era um freak ouviam. Achei que deveria ouvir outra coisa.

Vai lá: 
São Paulo:
13/12 – Studio SP (Hell on The Wheels e Jens Lekman)
15 e 16/12 – SESC Vila Mariana (El Perro del Mar)
Rio de Janeiro 
14/12 – Teatro Odisséia: Festival Algumas Pessoas… (Hell on Wheels, Jens Lekman, El Perro del Mar e Erlend Oye)

Mais informações: http://www.coquetelmolotov.com.br/invasao_sueca/turne.html

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