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Sem grande novidades

O circuito mundial de surfe teve início com duas provas da divisão de acesso (WQS) disputadas no Brasil. A temporada começa sem as freqüentes mudanças que caracterizaram o Tour nos últimos anos, mas com algumas poucas e boas.
Desde que foi criado, em 1992, o modelo de competição em uso, com primeira e segunda divisões, houve uma sucessão de ajustes, os quais, apesar de terem em vista a melhoria do esporte e da competição, não escaparam das críticas. Os interesses variam e com eles a avaliação dos envolvidos.
A restrição de somar no máximo três resultados por região, entre os oito que definem o ranking de acesso, é um exemplo claro das diferentes interpretações. Para os brasileiros a medida foi tomada deliberadamente para conter o nosso crescimento no Tour. Para a ASP, associação que organiza o circuito, a mudança visava classificar surfistas mais experientes, nas mais diversas condições de mar. A partir deste ano, os quatro melhores resultados caseiros mais os quatro melhores de fora definirão o ranking, o que parece uma medida justa.
Outra mudança foi priorizar as provas em locação de surfe extremo em detrimento dos interesses dos patrocinadores que preferiam ter suas marcas promovidas em praias de fácil acesso. Os acordos para a cobertura televisiva contribuíram e etapas como a de Teahupoo e G-Land ou Fernando de Noronha foram viabilizadas, e com altas ondas registradas. Sobre isso, a boa do ano é a volta da prova de Pipeline, Havaí, encerrando a temporada.
Também volta ao padrão a quantidade de provas do WCT. Depois da tentativa de promover um circuito mais enxuto em número de campeonatos e maior em volume em prêmios em 2001 – especialmente comprometido pelos atentados de 11 de setembro – este ano serão 12 etapas com US$ 3 milhões em prêmios. A prova brasileira será em outubro, devido à Copa do Mundo, e pela primeira vez em Saquarema, RJ, visando ondas de melhor qualidade. Detalhe importante: o patrocinador não está confirmado.

Novidade mesmo neste início de ano foi a vitória do carioca Anselmo Correa, 21, no Reef Classic. Sem patrocínio há três anos, ele chegou a pensar em desistir do surfe profissional, e a vitória trouxe novos rumos em seus planos. Ganhou US$ 6 mil pela conquista, seus primeiros dólares no Mundial.
A prova apesar de móvel acabou ficando mesmo na praia Mole, Florianópolis, SC, e as ondas, de apenas meio metro, contribuíram para eliminar vários dos cabeças-de-chave logo no início. Neco Padaratz ficou em segundo na etapa caracterizada por falta de onda e sobra de festa.
Da Ilha de Santa Catarina para o arquipélago de Fernando de Noronha e no dia seguinte 125 atletas estavam no Abras, com altas ondas, definindo as primeiras baterias. Mais tarde a 17ª edição do Hang Loose Pro foi transferida para a Cacimba do Padre e, como nas edições anteriores, foi definida pelos melhores tubos. Victor Ribas, 30, quebrou o jejum de quatro anos sem vitória no Mundial e assumiu a liderança do ranking de acesso.
As mudanças visam atender às pretensões do mercado, surfistas, mídia e público. O atual, pode até não ser o ideal, mas se não houver nenhuma surpresa, principalmente cancelamentos, será um ano promissor.

SUPER TRIALS
Em ondas grandes na Praia do Farol, Campos dos Goytacazes, RJ, o alagoano Tânio Barreto, atual campeão brasileiro, venceu a etapa de abertura do circuito nacional de surfe, divisão de acesso. Além de R$ 6 mil, ganhou um Fiat Uno.

DESFALQUES
Kelly Slater desistiu de participar do Quiksilver AirShow, mundial de aéreos, devido a uma contusão no joelho. A inédita competição de surfe começa no sábado em Mainly Beach, Austrália. Entre os 24 convidados, até surfistas da Nova Zelândia, Japão e Indonésia foram lembrados, mas nenhum brasileiro.

SEM AR
Os alpinistas Rodrigo Raineri e Vitor Negrete estão na eminência de colocar na rua, para captar recursos, o projeto de escalar o Everest sem oxigênio na temporada de 2003. A TRIP deste mês traz matéria com ambos sobre a escalada da face sul do Aconcágua.

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