Pairava a dúvida não sobre a exata medida da onda nem sobre ela ser ou não a maior já surfada na história, mas se a tal onda conquistada por Carlos Burle em Mavericks (EUA), no dia 21 de novembro de 2001, teria o reconhecimento da comunidade internacional.
Apesar de vencer o Mundial disputado em Todos os Santos (México), em 1998, estar na lista oficial dos convidados para o tradicional Eddie Aikau Invitation e sentir o respeito dos poucos que dividem o line-up em dias com ondas de mais de 30 pés, ele próprio tinha dúvida.
Essa incerteza foi se dissipando antes mesmo da ondulação diminuir. Quem esteve na água, surfando, registrando ou assistindo, naquele que foi considerado o maior swell surfado em Mavs, não hesitou em afirmar que a onda de Burle foi a maior do dia.
Depois vieram as revistas. A ‘Surfer’, em matéria que destaca ‘o dia em que Mavericks quebrou com 100 pés’, garante que a de Burle, a maior do dia, foi seguramente uma das cinco maiores da história desafiadas com sucesso.
Com todo esse prestígio e exposição, faltava para Burle o reconhecimento fundamental para um atleta profissional: a grana.
Não que ele ganhe mal de seus patrocinadores, a Redley e a Red Bull, mas, quando se sagrou campeão mundial no México, não houve premiação em dinheiro.
Nas três edições do Big Trip -concurso que oferece R$ 30 mil para o brasileiro que surfar a maior onda da temporada-, ao rivalizar com seu amigo Rodrigo Resende, ficou em segundo. Entre os campeonatos desta temporada, no que competiu, o de tow-in, ficou em terceiro.
A grande expectativa terminou na quinta-feira da semana passada, na Califórnia (EUA), quando os editores da ‘Surfing’, Evan Slater e Larry Moore, da ‘Surfer’, Sam George e Chris Mauro, e o pioneiro surfista de Waimea Mickey Munoz votaram na onda de Burle para vencer o concurso promovido pelo site www.swell.com, o XXL Biggest Wave.
A montanha d’água surfada por Burle foi avaliada em 68 pés, dois a mais que o monstro surfado por Mike Parsons em Cortes Bank, em 2001, e três a mais que a de Cheyne Horan, em Jaws, segundo colocado em 2002.
Finalmente a medida de reconhecimento do brasileiro saía da fita métrica para o saldo bancário. Com um checão de US$ 50 mil numa mão e a chave do Nissan X Terra na outra, Burle subiu ao palco e não conteve as lágrimas durante o rápido discurso.
Logo seus amigos e locais de Mavericks, Ken ‘Skindog’ Collins e Darryl ‘Flea’ Virostko, levaram Eraldo Gueiros, parceiro de Burle no tow-in, para o palco. A bandeira brasileira se misturou à americana, e, ovacionado por cerca de mil pessoas, ele não teve mais dúvida.
Outros prêmios: Paul Paterson ficou com os US$ 10 mil para a maior onda conquistada na remada, em Waimea, durante o Eddie. Mike Parsons levou os US$ 5.000 para o surfista que correu mais ondas grandes na temporada, e outros US$ 5.000 foram para o fotógrafo Frank Quirarte, autor da imagem de Burle.
E hoje, no bar Surf Adventures, na Barra da Tijuca (RJ), Burle reúne os amigos para celebrar a vitória. Na semana que vem, será em São Paulo.
King of skate
Está sendo filmado o programa de TV (pay-per-view), que irá ao ar nos EUA no dia 28 de junho, com seis dos melhores skatistas do planeta -eles terão de apresentar algo inédito no esporte. O brasileiro Bob Burnquist acrescentou um looping com um ‘buraco’ na parte superior, na pista de sua casa na Califórnia.
Super Surf
Precedido por uma triagem com 46 atletas disputando uma única vaga -conquistada por Wilson Nora-, começou ontem em Maresias (litoral norte de São Paulo) a 16ª edição do Circuito Brasileiro de surfe profissional.
Everest sem oxigênio
O casal Paulo e Helena Coelho encontra-se rumo à face norte (tibetana) da montanha na Couples Everest 2002 Expedition. Caso alcancem o cume, serão os primeiros brasileiros.