Já faz uma semana, e apesar da atenção que a mídia deu à vitória de Bruno Santos na etapa do mundial de surfe em Teahupoo não dá para deixar de dedicar mais algumas linhas ao assunto. As ondas chegaram às ilhas do Taiti uma semana antes do início da terceira etapa do WCT, e então Bruno começou a vencer a mais temida prova do Tour. Numa seletiva com 80 candidatos – e é bom frisar que só com especialistas em ondas grandes, em tubos, alem de locais – e ondas de até 15 pés, ele chegou à final com Jamie O’Brien para garantir uma das duas vagas em disputa para o evento principal, o Billabong Pro Tahiti.
Seu desempenho nas triagens chamou a atenção e mereceu elogios inclusive de Kelly Slater, que chegou a dizer que era bom o mar não subir como estava nas triagens porque seria difícil bater os “garotos”, se referindo a O’Brien e Santos, além de mencionar o local Manoa Drolet, que entrou como convidado.
Não sei ao certo quando o oito vezes campeão mundial e vencedor das duas primeiras etapas deste ano profetizou sobre os trialistas, provavelmente durante os vários dias nos quais o diretor da prova, Luke Egan, teve de adiar o início do evento por falta de ondas, mas não há dúvida de que a sintonia com o mar e a gana de Bruno pela vitória começaram na seletiva.
Foram 11 baterias – entre suas vítimas o atual campeão mundial Mick Fanning e o vice Taj Burrow – até Bruno conquistar uma vitória que há seis anos nós brasileiros não obtínhamos, e que, exceto pelo ano em que Tom Curren, então bicampeão mundial, resolveu voltar ao Tour e conquistou o tri disputando as provas a partir das triagens, é algo muito incomum no atual formato do WCT.
Muito bom nessa história também é que apesar de as finais serem disputadas em ondas pequenas, quando Bruno bateu o respeitado e resignado Manoa Drolet, sua vitória começou a ser construída de fato quando o mar bombava ondas de até 15 pés. Um cala-boca para os que consideraram os brasileiros do WCT “merrequeiros”. Restam agora os seis do “time” do Brasil no Tour aproveitarem o rastro deixado por Bruno Santos.
ISA WORLD JUNIOR
Começa amanhã em Hossegor, França, o Quiksilver ISA Surfing Championship, organizado pela única associação que coexiste com a ASP. A competição, para atletas até 18 anos, é por equipe, o que deixa o surfe mais próximo da Olimpíada.
SUPERSURF
Se na primeira os catarinenses dominaram em Florianópolis, agora foi a vez dos nordestinos. Jano Belo venceu e Wilson Nora ficou em segundo na segunda etapa, disputada no Cupe, PE. Tita Tavares, no feminino, venceu pela 13ª vez e segue quebrando recordes.
