Não fosse pelo delator “da Silva” o cidadão Robert Dean da Silva Burnquist dificilmente seria identificado como brasileiro. Bob Burnquist, que também é cidadão americano, fisicamente parece ter herdado mais da genética paterna, mas, pelas atitudes, se percebe que o sangue brasileiro corre em suas veias, e é sangue bom.
Ele esteve por aqui na semana passada para o lançamento em português do documentário “The Reality of Bob Burnquist”, que tem duração de 70 minutos e conta um ano da vida – se é que é possível ele ter feito tanta coisa em um ano – do maior skatista brasileiro de todos os tempos.
Mesclando com esse um ano, o documentário apresenta imagens de arquivo que vão desde a vitória logo no primeiro campeonato que disputou e imagens na extinta pista da Ultra, que revelou alguns dos maiores nomes do skate nacional como Cris Mateus, Lincoln Ueda, Sandro Dias e o próprio Bob, até cenas cotidianas que revelam um pouco do seu estilo de vida: família (com a pequena Lótus e a mulher, Jen), saúde (comendo frutas orgânicas de sua própria plantação), trabalho e amigos.
O trabalho é levado muito a sério. Tudo bem, há de se convir, é o trabalho que todos sonham, mas para chegar lá e se manter é ralação pra valer. Acompanhar a evolução do desafio de realizar o looping, que resultou em alguns ossos quebrados e muitas luxações até ser completado, dá a exata dimensão desse trampo.
Entre os amigos Bob dá especial destaque para dois deles. Um de sua cidade natal, o Rio, e o outro de onde foi criado, São Paulo. Sinistrinho, garoto da Rocinha, merece a homenagem por ter conseguido através do skate criar a oportunidade de mudar de vida numa comunidade onde as chances são sempre escassas, mas foi vencido pelo crime. E Og de Souza, deficiente físico de nascença, mostra uma força interior rara e uma habilidade para o skate impressionante até mesmo para quem tem as duas pernas.
O quintal do sítio de Bob em Encinitas, Califórnia, EUA, é o principal cenário do filme, e se transformou numa enorme pista de testes e desenvolvimento de manobras. Numa seqüência infindável ele faz dezenas de manobras sem repeti-las. Em outra a construção da pista e a execução do parafuso. E segue com uma session na megarrampa de Danny Way, modalidade que Bob pegou gosto.
A session na piscina com Steve Alba também merece destaque, assim como suas experiências no pára-quedismo, que rapidamente evoluíram de um tandem (salto em dupla) para os individuais, desses para o wingsuit (roupa especial para aumentar a distância horizontal do salto) e daí para o BASE jump, que ele faz até mesmo à noite.
O filme, dirigido por Jamie Mosberg, termina com o mais recente projeto de Bob, o salto no Grand Canyon, onde combina duas de suas paixões, o skate e o BASE jump, mas é uma seqüência rápida, só para dar um gostinho da experiência. O documentário sai em DVD este mês.
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NOTAS
MUNDIAL DE SURFE – WQS MASCULINO
Após a etapa portuguesa o francês Jeremy Flores assumiu a liderança do ranking de acesso. Victor Ribas (8º) é o melhor entre os cinco brasileiros na zona de classificação.
MUNDIAL DE SURFE – WCT FEMININO
Atual campeã, Chelsea Georgeson venceu a etapa francesa, subiu para terceiro no ranking e esquentou a briga pelo título. Melanie Redman-Carr voltou à liderança seguida por Layne Beachley. A estreante brasileira Silvana Lima está em quinto.
MUNDIAL DE ESQUI NA NEVE
Nikolai Hentsch, representante do Brasil nas Olimpíadas de Inverno de 2002 e 2006, conquistou o melhor resultado da história do esqui brasileiro numa prova FIS. Na Copa Sulamericana no Chile ele ficou em 15º no slalom gigante.
SUPERSURF
A enorme ondulação que entrou na região sudeste no início da semana bateu ontem em Itacaré, BA, onde está sendo disputada a quarta etapa do Brasileiro.
