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Rivalidade dramática

Não há grandes histórias no esporte sem épicas rivalidades. Pense em como seria tediosa a vida se nos faltassem os duelos Prost e Senna, Clay e Foreman, Piquet e Mansell, Corinthians e Palmeiras. E se havia uma dimensão que ainda não havia sido alcançada pelo surfe, era justamente essa: a de uma rivalidade dramática, de uma disputa de titãs pelo lugar mais alto do pódio. Mas a atual temporada do tour mundial está colocando fim a esta carência. E isso ficou claro na sexta etapa, o Billabong Pro, no final de julho.

Em Jeffrey?s Bay, África do Sul, o surfe profissional iniciou um novo capítulo em sua história quando, pela primeira vez numa bateria final, o tricampeão Andy Irons encarou o hexacampeão Kelly Slater. Os dois americanos ? o primeiro nascido e criado no Havaí, meca das ondas gigantes, o segundo na Flórida, das ondas pequenas e escassas – que juntos somam nove títulos mundiais, ainda não haviam disputado uma final homem a homem e, exatamente por isso, a expectativa era grande.


Como normalmente acontece quando os competidores são mestres na arte, a disputa não deixou a desejar em drama, emoção e decisões de último minuto.


O mar, com longas e sólidas direitas de dois metros, ajudou e Irons foi logo se aproveitando para arrecadar um 8.33 em sua primeira onda. O fato fez com que Slater tivesse que passar o tempo todo disputando o que os americanos chamam de ‘catchups’. Como quando, numa disputa de pênaltis, o primeiro batedor faz seu gol. A partir daí, o time adversário tem que marcar para se igualar. Foi aí que a maior experiência de Slater entrou em cena. Calmo, soberano, ele, mesmo atrás, jamais perdeu o controle da situação.


Nem mesmo quando Irons surfou o que parecia ser a última onda da disputa e deixou Slater a poucos segundos da derrota. Quando a vitória do havaiano parecia líquida e certa, surge no outside uma onda de um metro e meio e Slater despeja todo o seu variado repertório de manobras, base-lip, troca de bordas, sempre no ponto crítico da onda. Justamente nesse instante soa a sirene anunciando o fim do duelo.


Na praia, todos se perguntavam quem teria ganho. Na ponta do lápis, Slater precisava de um 9,23 para pular à frente de Irons e ficar com o título. Menos do que isso, vitória de Irons. Momentos de tensão. O havaiano, certo de que havia ganho, ameaçava comemorar antes mesmo que os juízes se pronunciassem. Mas, quando os organizadores anunciaram a nota de Slater (9,50), foi a vez do hexacampeão levantar os braços e celebrar.


Slater segue liderando o ranking com 5342 pontos, agora, seguido de Irons, que tem 4596. Com o circuito passando de sua metade (com o cancelamento da etapa da Espanha, serão 11 provas no ano), é bastante provável que tenhamos aí um hepta ou um tetracampeão pintando no horizonte. Mas, mais importante, um duelo sem precedentes na história do esporte parece começar a se desenhar no tour.



NOTAS



Mundial de surfe – WQS

No último fim de semana, Andy Irons venceu o US Open nas merrecas de Huntington Beach, Califórnia. Adriano ‘Mineirinho’ de Souza ficou em terceiro e já é o vice-líder do ranking, mesmo com um resultado a menos que o líder. Ele e mais 10 brasileiros já estão no Japão onde acontece etapa seis estrelas. Outros 28 representantes do país estão no cinco estrelas da Inglaterra.


Mais um caneco
O skatista Sandro Dias continua faturando alto. No último dia de julho, em Montpellier, França, o brasileiro conquistou o título de tricampeão europeu e ficou mais perto de seu terceiro Mundial.


Snowboard
Terminou o Snowboard Speedy Experience em Campos do Jordão, SP.
A neve artificial, e atletas de dez países coloriram o evento, que distribuiu US$ 10 mil em prêmios.

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