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Ressacão em recessão

Surfar a maior onda do ano não é tarefa fácil, não só pela coragem e preparo físico e psicológico exigidos para tal proeza, como estar no lugar e hora certos para pôr sua habilidade à prova. Essa busca, que antes se concentrava em uma ilha havaiana e pelo período de três meses, vem se ampliando. México, Califórnia, a ilha vizinha, Europa, entraram no roteiro, depois o inverno no hemisfério sul também passou a fazer parte do calendário, com Peru, Chile, África do Sul, e os radares em busca de grandes ondulações atualmente cobrem todo o globo e fazem os big riders dar trabalho a seus agentes de viagens.

Para os big riders, em 2007 a procura virou espera. Dias antes da maior premiação de ondas gigantes, o Billabong XXL, foram anunciados mais dois cancelamentos de campeonatos de tow-in. O Maverick’s Surf Contest – que tem janela de 1º de janeiro a 31 de março – está encerrado por falta de ondas, assim como a primeira etapa do circuito mundial da APT (Associação Profissional de Towsurfers), em Maui. No dia 28 de fevereiro, também foi abortado o Eddie Aikau (competição de ondas gigantes na remada em memória ao histórico surfista havaiano). O ano começa com recessão no mar, mas a premiação para quem marcou presença nas maiores ondas nos últimos 12 meses segue viva. Amanhã o Billabong XXL consagrará mais alguns nomes, este ano com mudanças no critério. O título de Onda do Ano – melhor desempenho, do drop à finalização – deve ser a grande estrela da noite. A honraria para a Maior Onda não é mais protagonista. Quem fizer a melhor linha numa onda gigante recebe 50 mil dólares e o dono da Maior Onda embolsa 15 mil dólares, mesmo valor pago ao vencedor da Maior Onda Remada. São números mais modestos do que o 1 mil dólares oferecido anteriormente por cada pé da maior onda surfada, que já bateu na casa dos 68 mil dólares.

Mesmo com valores menores, a mudança de foco deve fazer do tow-in um esporte ainda mais exigente para os atletas. A categoria evoluiu em equipamentos e traz cada vez mais competidores, o que muda o nível de desafio. Danilo Couto é nosso indicado para o XXL este ano. O baiano está na lista da categoria de Melhor Performance Geral, que dá 5 mil dólares para o vencedor. A indicação não é novidade para Danilo, que já esteve na disputa em 2004 e 2006. No feminino Maya Gabeira, 19, e a brasileira radicada no Havaí Andréa Möller concorrem ao prêmio de Melhor Performance Geral, que conta também com a californiana Jamilah Star. Maya, carioca do Arpoador, tem se dedicado totalmente ao big surfe e mostrou atitude ao dropar Todos los Santos e Mavericks, além de Waimea, seu local predileto. Quem está bem na fita para os prêmios principais são os sul-africanos. Andrew Marr, que dropou uma morra em Dungeons, provavelmente leva o prêmio de Onda do Ano e Greg Long, também em Dungeons, deve obter a graça de Maior Onda. Manoa Drollet, do Taiti, tem grandes chances no de Melhor Tubo, em Teahupoo, e Ben Andrews de Maior Onda Remada, em Mavericks.

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