Guerra ou Paz?
Convencionou-se acreditar que agressividade é da natureza humana e violência produto da cultura humana. Até concordo em parte porque realmente sempre me pareceu que violência é coisa que o homem faz. Aprendi a ser violento. Mas nascendo agressivo, como tolerar a violência que se abatia sobre meu corpo? Como reagir diferentemente? Mas desde que consegui colocar o nariz para fora e respirar sem precisar agredir para me defender, aprendi a me educar quanto à violência que morava em mim. Preso não havia como, mesmo assim tentei. Na prisão só se sabe quando entrou; quando ou se vai sair vivo é imprevisível.
Aqui fora violência é obstáculo porque toda pessoa de sã consciência nesse mundo esta contra a violência. Creio este será o próximo hábito de cultura a ser alijado da perspectiva humana. Nesse século mesmo precisamos resolver isso. O problema é que tem alguns que querem resolver o problema da violência à bala. O mais inteligente escrito de parede que vi foi este: “morte aos radicais!” Acho que caberia bem aqui.
Se criamos a cultura da violência, sempre podemos criar a cultura da não violência que, alias, já foi até criada por Gandhi. De lá para cá essa doutrina vem ganhando adeptos.
Até entre os filósofos há divisões. De Heráclito na cultura grega, passando por Maquiavel, Hobbes e Nietzche na idade moderna, há uma visão de que a guerra é inerente ao homem, uma força construtiva do progresso, um fenômeno social. Somente os pseudo filósofos da Alemanha nazista quiseram dar continuidade a esta racionalização em favor da guerra, na idade contemporânea.
Em contraposição, há todo um sistema de pensamento em direção à paz. Inicia-se na China com Confúcio e Lao-Tsé, passando por Kant, Rousseau e Tolstoi na idade moderna, e Bertrand Russel, Karl Jaspers, Camus e outros nossos contemporâneos.
Mas, ficou comprovado que paz é produto de justiça social. E como justiça a curto e médio prazo se alguns se apropriam de quase tudo deixando migalhas para a maioria? Exemplo disso é a família Diniz, parece que querem tudo só para eles. Estão de posse de um segrego comercial: vender para a faixa de menos poder aquisitivo da população só dá lucro porque pobre paga. Morre de fome, sacrifica os filhos até, mas paga.
Pela minha experiência pessoal creio que para ter paz é necessário luta renhida, combate permanente e espírito criativo. E não há paz individual. Se eu estiver em paz e os outros não, não haverá paz para ninguém. Precisamos nos educar em conjunto para a paz seja um dia possível para todos. Há tantas coisas que eram sonhos de grandes sonhadores e que viraram realidade aos poucos…
Thomaz Alva Edson estudou trocentos tipos de materiais, deste a taquara do bambu até ao aço mais refinado para chegar àquele ferrinho que ilumina dentro da lâmpada. Em meio a esta pesquisa, descobriu a vitrola e o acetato para os discos, quase sem querer. Era um sonho, fruto de anos, décadas de testes até chegar ao tungstênio e nos trazer a luz que dura, como a conhecemos hoje em dia.
Entendo educação como ser gentil, elegante e generoso para com todos. Enxergar o espaço de alegria e sofrimento dos outros, esses nossos comparsas existenciais. Do mendigo da esquina ao morador da Vieira Souto no Rio. Da criança ao velho. Educar, no meu entendimento, é eliminar diferenças. Carecemos de acabar com desconfianças e criar raízes para a cooperação. A cultura de paz como vem se desdobrando desde os famosos anos 60, educará os homens nesse sentido. Demora, mas já esta se sedimentando no espírito humano essa ânsia, essa necessidade de um mundo melhor. Um mundo melhor esta intrinsecamente ligado a uma cultura de paz.
Precisamos promover abraços e apertos de mãos em todas as latitudes e longitudes.
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Luiz Mendes
24/12/2009.