Quem disse que o cinema nacional não tem futuro?
Dados apontam que o americano médio passa 3 horas e 51 minutos por dia consumindo algum tipo de pornografia
Por mais assustadores que possam ser os trancos, que sem dó chacoalham a economia brasileira desde sempre, sejam surtos psicóticos e aberrações como o confisco de Dona Zélia e Seu Collor, ou os reflexos de problemas reais, como os de 11 de setembro, o país segue em frente.
O mercado brasileiro, apesar do sistema jurídico obsoleto, de alguns governantes inescrupulosos, empresários e políticos mal-intencionados, é composto por uma quantidade infinitamente maior de gente boa de todos os lados dos balcões.
Assim, é nítida a sofisticação de produtos, serviços, sistemas de relacionamentos, mídia.
Para onde se olhe, é possível ver evolução. Os carros, os chocolates, os supermercados, as padarias, as bancas de jornais, sabões em pó, boates.
Talvez haja poucas categorias, se houver alguma, nas quais não se verifiquem índices de evolução, sofisticação, segmentação, especialização, nos últimos cinco ou dez anos no Brasil.
Mas quando o assunto é mercado e capitalismo, é necessário baixar a bola e tirar o chapéu para os americanos. É mais do que sabido que ninguém (nem mesmo os fortes concorrentes japoneses) conseguiram atingir níveis sequer comparáveis às loucuras em que se converteram os sistemas de serviços e o grau de sofisticação de produtos de consumo na América.
Sexo sempre em primeiro lugar
Para não falar das quatro publicações especializadas em veículos antigos da marca Volkswagen, ou das centenas, talvez milhares, de tipos e marcas de cereais matinais disponíveis nas prateleiras americanas, peguemos uma mercadoria que se mantém ao mesmo tempo no primeiro lugar em dois tipos de listas. De tabus e de assuntos mais consumidos. O sexo.
Dados incríveis reproduzidos pela Madiamundomarketing, uma newsletter especializada em observar a evolução dos mercados, dão a dimensão desse segmento. Como se lê na publicação, uma certa ‘Associação dos Produtores de Filmes Pornográficos’ dos EUA afirmam que o homem americano médio passa 3 horas e 51 minutos por dia consumindo algum tipo de pornografia, seja na Internet, vídeos, canais a cabo etc.
Ainda segundo a publicação, há quem conteste os dados acima, mas não há como negar que dos US$ 10 milhões movimentados em 1972, a indústria de vídeos e filmes pornográficos nos EUA pulou em 2000 para mais de US$ 10 bi.
Do que os homens gostam
Falando em segmentação, de olho nesses bilhões, um sujeito chamado John Stagliano, depois de muito pesquisar, descobriu, ainda segundo a newsletter, que 80% dos heavy users deste mercado são homens, e que quase todos preferem e se excitam com sexo pesado, com requintes de violência e submissão, muito especialmente nas imagens de mulheres que se deixam submeter – pressionadas ao sexo anal. Conclusão: o tal John se especializou nessa modalidade de ‘cinema’ afirmando que as posições mais ‘convencionais’ de fazer sexo teriam se tornado commodities. John está rico e vive numa mansão de frente para o mar em Malibu.
Se nossos vizinhos de cima, com sua formação puritana protestante, volta e meia se revelam amantes de charutos usados de forma pouco convencional, o que espera a evolução natural de um mercado voltado para um povo que se diz liberal ao extremo quanto à sua sexualidade e que cultua a tal ‘preferência nacional’? Quem disse que o cinema nacional não tem futuro?
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