POR CAIO FERRETTI ILUSTRAÇÃO THIAGO BOLOTTA
Há quem diga que o silêncio está com seus dias contados. Na verdade, são os espaços silenciosos que estão desaparecendo das cidades. Pelo menos essa é a teoria de Ualfrido Del Carlo, ex-diretor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), especializado em acústica – escolha feita depois de ter sido proibido pelo pai, violinista, de seguir carreira musical. Que ironia. Procuramos o professor para entender um pouco melhor por que “o silêncio habitará ilhas cada vez menores nos espaços urbanos”.
Está cada vez mais difícil encontrar o silêncio? A área afetada pelo ruído nas cidades está cada vez maior. Isso não significa que ele esteja aumentando de volume, mas que está se esparramando. Áreas residenciais agora são utilizadas como rota para fugir do trânsito.
Como isso aconteceu? O barulho mudou em São Paulo. Antes era industrial. Agora nós exportamos isso para o interior e hoje sofremos com os carros, boates, helicópteros. A cidade está um inferno.
Como mudar esse cenário? Educação. Todos têm que pensar em como reduzir esse barulho. Buzinando menos, escolhendo carros mais silenciosos, evitando bairros residenciais. O problema é que já faz parte da nossa cultura aceitar o barulho.
