Por Thiago Lotufo Foto Christopher Michot / KPWT
Ela tinha acabado de fazer as tarefas do colégio quando atendeu Trip ao telefone. Gisela Pulido tem apenas 11 anos e pouco menos que 1,50 m de altura. Fala e compete, porém, como gente crescida: é a atual campeã mundial de kitesurf (na categoria das profissionais mesmo, cheia de mulheres feitas). Ganhou o título em 2004, aos 10.
A “niña” é espanhola. Nasceu em Barcelona – é fã de Ronaldinho Gaúcho –, mas vive em Tarifa (Andaluzia), com o pai, a 200 metros de uma praia entre o oceano Atlântico e o Mediterrâneo. No mês passado, ela esteve em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, para participar da etapa brasileira do Circuito Mundial 2005. Levou o título e, de quebra, se divertiu bastante.
O que você achou do Brasil? Muito bonito. As praias são lindas e as pessoas, simpáticas. Visitei o Pão de Açúcar e o Corcovado.
Como é competir com pessoas bem mais velhas do que você? No começo, não me respeitavam. Pensavam: “Onde esta ‘niña’ pensa que vai?”. Agora, rezam para não competir comigo. Na água, sou terrível.
Você começou com que idade? Com 8 anos. Meu pai, que anda de kite, foi quem me ensinou.
Qual a sensação de “voar” de kite? Muito boa. É como se o meu estômago se separasse do restante do corpo.
Pretende ser campeã este ano novamente? Claro, mas isso não é o mais importante. Faço kite porque me divirto.
Você já praticou esportes de neve? Já, já. No inverno, troco o kite pelo snowboard.
foto Alexandre Cappi
Snowboard é o esporte de Mário Zulian Neto. Ele tinha acabado de voltar de um treino nas neves de Valle Nevado, no Chile, quando atendeu Trip ao telefone. Mário tem 30 anos e bem mais que 1,50 m de altura. É o atual campeão brasileiro na categoria Big Air, prova em que o atleta tem que deslizar na prancha e fazer uma manobra radical ao saltar de uma rampa. Ganhou o título no mês passado, em Las Leñas, Argentina.
Mário é de Bauru, cidade quente à beça do interior de São Paulo. Conheceu a neve aos 17 anos, quando fez um intercâmbio no gélido Estado de Michigan, na região dos Grandes Lagos (norte dos EUA). Começou com o ski e, há quatro anos, se dedica também ao snowboard.
Por que a neve? Eu sempre surfei e sou de uma cidade bastante quente, mas acho a neve demais. Deslizar nela é muito bom, tem muito pouco atrito.
Que altura dá para alcançar num salto de Big Air? Na Argentina, acho que cheguei a uns sete metros da superfície.
Qual a sensação de “voar” de snow? São 2,5 segundos de homem-pássaro mesmo. Era somente eu e a prancha.
E a velocidade da descida? Bate uns 40 km/h.
Dá medo? Big Air é muito arriscado, talvez a modalidade mais difícil do snowboard. Tudo depende exclusivamente de você. Precisa de muita disciplina e concentração.
Você já praticou kitesurf? Comprei um recentemente, mas ainda não experimentei
