O Brasil exige visto de entrada no país para os norte-americanos. Invoca uma reciprocidade, já que os EUA impõem severas restrições à entrada de brasileiros em seu território, que é de fato represália. Desinformado e mal assessorado, Robby Naish, a maior estrela convidada para o Red Bull Dragão do Ar, realizado em Jericoacoara (CE), terminou sua viagem para o Brasil no aeroporto de Miami. Sem visto não embarcou.
Sua ausência ofuscou mas não apagou o brilho do evento de kitesurfe concluído no final de semana. A participação estrangeira ficou resumida ao argentino Mariano Puricelli, mas a excelente condição do vento e a presença dos melhores brasileiros permitiram um show de manobras aéreas, foco do evento.
Na prova de permanência no ar, hang time, Roberto Veiga garantiu a primeira posição voando cinco segundos e cinco décimos. Na ‘melhor manobra’ e no ‘estilo livre’, Maurício Abreu ratificou a condição de brasileiro mais experiente no esporte e ficou com os primeiros lugares.
Surfista, baiano, Abreu foi morar no Havaí há sete anos. Firmou residência em Maui, um dos berços do esporte (há quem considere a França), e viu o esporte nascer. Trabalhando numa loja de esportes náuticos, teve acesso aos praticantes, informações e equipamentos. Pegou gosto e está entre os melhores do mundo.
Criado há quatro anos, o kite tem atraído praticantes do surfe, wakeboard, windsurfe, skate, vôo livre, que ampliam e aceleram o desenvolvimento do esporte ao aportar suas técnicas originais.
As condições para a prática do kite no país são muito favoráveis, o que irá garantir, pelo segundo ano, o encerramento do Mundial por aqui. A prova será no Pepê, no Rio de Janeiro entre os dias 2 e 9 de dezembro, e vai definir os campeões mundiais masculino e feminino. Antes, no mesmo local, o Campeonato Brasileiro (reconhecido pela ABK) irá definir o ranking nacional e servir de seletiva para o Mundial.
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Já no skate os estrangeiros passaram bem na alfândega, mas foram barrados pelos brasileiros na pista. A etapa decisiva do Mundial realizada em São Bernardo do Campo (SP), nos dias 10 e 11, esteve ameaçada até poucos dias antes de sua realização. O motivo, o de sempre, verba. Mas a organização bancou e a prova foi um sucesso. Andy MacDonald, Omar Hassan, Mathias Ringstron, Chris Seen, Rune Glifberg foram alguns dos que vieram de longe atrás dos pontos e dos US$ 28 mil de premiação.
Os principais prêmios da prova ficaram mesmo com os brasileiros, Sandro Dias e Bob Burnquist no vertical, Wagner Ramos, Daniel Vieira e Rodil Araújo no street, mas Glifberg (3º no vertical) e Seen (5º no street) garantiram os títulos mundiais.
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De passaportes carimbados estão também Danilo Costa e Renan Rocha. Com os cancelamentos de provas no Mundial de Surfe promovidos pela onda de incerteza pós 11/09, eles estavam entre os maiores prejudicados. Mas, com o resultado na decisiva prova do WQS encerrada na quarta-feira, 21, em Haleiwa, Havaí, Renan assegurou sua 12ª temporada entre os melhores do mundo e Danilo passou a ocupar a 15ª e última vaga pela divisão de acesso. Só uma combinação de resultados desfavoráveis na prova de Sunset do WCT tira sua merecida presença na elite em 2002. E quem também marcou presença foi a catarinense Jacqueline Silva, que, ao vencer a prova pela segunda vez, conquistou o mundial da divisão de acesso.
NOTAS
CORRIDA DE AVENTURA
Começa no domingo, dia 25, no Pará a EMA 2001 Amazônia. São 51 equipes representando 17 países, 600 pessoas na organização, 550 quilômetros de percurso, seis modalidades esportivas e R$ 130 mil em prêmios.
PÁRA-QUEDISMO
Thiago Minitti e João Tambor conquistaram o bicampeonato brasileiro em Campinas. O resultado garantiu a participação da dupla no Mundial de 2002 em Portugal.
MISCELÂNEA
Começa no próximo fim de semana no Sambódromo de São Paulo a Semana Jovem da Prefeitura. Skate, bike, escalada, prova de força (‘Homem mais forte do Brasil’), além de uma prova de saltos de snowboard numa pista artificial, estão na agenda.