Para quem não sabe, wing-suit é uma roupa usada pelos pára-quedistas para ganharem projeção horizontal durante a queda livre. Unindo as pernas e os braços ao tronco com uma membrana de tecido, o equipamento permite que os pára-quedistas e os BASE jumpers voem longe nas idéias para novas conquistas. A maior delas voltou à pauta na semana passada com a visita do americano Jeb Corliss ao país. Desde 2004 Corliss vem anunciando que fará um pouso sem pára-quedas. Na ocasião chegou a dizer, após os testes, que havia chegado a uma velocidade razoável para tentar o pouso com segurança já no ano seguinte. O tempo passou, a polêmica ganhou corpo e o projeto continua em teste.
Cansado de responder se isso é possível, o vice-campeão mundial de BASE, Luis Santos, o Sabiá, aproveitou o encontro com o colega para questioná-lo. A resposta foi objetiva, mas, ao que parece, ainda vai demorar para acontecer o tal pouso: “Preciso de US$ 5 milhões para poder pousar de wing-suit”. Companheiro de testes e anfitrião de Corliss em sua visita ao Brasil, o paranaense Luigi Cani realizou duas grandes façanhas nas últimas semanas. Na primeira, organizada pelo programa “Stunt Junkies” do Discovery Channel, Cani saltou do Grand Canyon, EUA, sobre sua Suzuki 650CC. Mergulhou no abismo, abandonou a moto e enquanto voava de wing-suit assistiu à explosão da moto no solo desértico, tudo sob as bênçãos dos índios navajos, que habitam a região. E, na semana passada, Cani, que detém o recorde de voar no menor e mais rápido pára-quedas do mundo, fez um vôo rasante a dois metros da estátua do Cristo, no Corcovado, Rio. E As imagens, especialmente a captada a partir de seu capacete, impressionam. O risco calculado não permitia erro, era a bênção ou a extrema-unção.
Gui Pádua é outro brasileiro atrás do velho sonho do homem de voar, e também de recordes. No último dia 23, em Boituva, SP, ele superou seu próprio recorde Pan-Americano de permanência em queda livre. Saltando de uma altura de 22.380 pés ele ficou 3min33s em queda livre. O salto serviu de preparação para o objetivo maior: superar o recorde mundial de 4min36s alcançado pelo astronauta Joseph Kittinger em 1960, na Flórida, EUA. Até câmera frigorífica, para agüentar a temperatura de -50ºC, faz parte do treinamento de Pádua para ultrapassar a marca dos cinco minutos. Voando eles estão bem, mas para pousar sem pára-quedas ainda faltam alguns milhões.
