Por Redação
em 21 de setembro de 2005
por Marcelo Bortoloti
No Brasil existe um pequenino para cada dez mil habitantes. A cidade de Itabaianinha, no sertão sergipano, é onde fica a maior concentração deles – um exército de pouco mais de 120 nanicos. Mas foi em São Gonçalo (RJ) que sete anões se uniram para enfrentar as adversidades do mundo crescido. Eles moram em casas próximas e, como nas histórias infantis, se ajudam na batalha do dia-a-dia. Rolinha, Carlinhos, Chumbinho, Santinho, Cosme, Caçula e André ganham a vida com pequenos expedientes. Fazem micropapéis na TV, animam festas, panfletam nas portas de loja, e já estudaram até proposta para trabalhar em filme pornográfico. Pequeninos, engraçados e falantes, também são grandes apreciadores de cerveja – não perdem a chance de se agruparem num churrasquinho. A parceria no trabalho facilita o granjeio de oportunidades e ajuda na concorrência com os demais nanicos. Tem anão que fura os outros e rouba o trabalho cobrando metade do preço, cochicha Rolinha, 57 anos e 93 centímetros, o cabeça do grupo. E quando o dinheiro falta, os sete pequenos de São Gonçalo se apóiam mutuamente para enfrentar a barra. Sempre andando na linha, claro, para não queimar o filme. Se um sujar, suja para todos, murmura Cosme.
Trocando em miúdos
Antes de constituírem sociedade, faziam trabalhos dispersos. André era mecânico; Carlinhos, cobrador de ônibus; Cosme, jornaleiro. Até Rolinha, o palhaço e locutor de rádio, no passado foi sapateiro. Hoje, além do grupo, ele tem contato com dezenas de baixotes e agencia o pessoal, recrutando anões para qualquer serviço. Conhece tipos afeminados, varões, valentes que só andam armados e até um anão traficante. Ao contrário dos sete personagens da história que mantinham uma casta relação com a Branca de Neve, estes anões metropolitanos levam uma farta vida sexual. Reza a lenda que os pequeninos foram presenteados pela natureza com membros extremamente generosos – o que nem sempre é verdade. Mas, por via das dúvidas, contam eles, diversas mulheres de estatura alta se entusiasmam em conhecer este particular. Até homossexuais não param de ligar lá para casa, sussurra o cobiçado Chumbinho. Caçula já está em seu segundo casamento, e Nilva, a atual esposa de 1,80 m, morre de amores por ele. Os pequenos empecilhos deste mundo graúdo eles vão burlando como podem. Na casa de Rolinha o fogão não tem pés, o chuveiro é acionado com o auxílio de uma alavanca e, se algum adulto sentar em seu vaso sanitário, certamente ficará de cócoras. As roupas precisam ser cortadas na metade ou adquiridas em lojas infantis. Aliás, segundo eles, a parte boa de ser pequeno nesta terra de gigantes é o carinho das crianças. Certa vez, numa festa de aniversário, uma menina foi embora chorando, pois queria de todas as formas que sua mãe lhe comprasse o Rolinha de presente.
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