Filho da realeza havaiana, nobre de espírito, batizado no mar, o príncipe que divulgou o surfe pelo mundo ganhou medalhas olímpicas na natação (duas de ouro) e no pólo aquático.
É dele também o mérito de ter desenvolvido o estilo crawl e de ter as primeiras experiências no windsurfe, no wakesurfe e no tandem surfing. Para quem não tem intimidade com o termo, tandem é quando o surfista troca a descida solitária pela companhia de uma garota, fazendo acrobacias em seus ombros. Uma espécie de balé board.
A partir de hoje, na praia de Waikiki, Havaí, acontece o World Title Tandem Surfing, competição que faz parte do 6º Duke’s Ocean Fest Celebration, e, além de homenagear Kahanamoku, arrecada fundos para financiar estudantes e jovens atletas.
Foi ali mesmo, em Waikiki, na década de 20, que Duke generosamente convidou as amigas para uma volta em sua prancha. Apesar de não ser nenhum galã, Duke era bem-humorado, humilde e dotado de um carisma excepcional, conquistando corações e credibilidade no mundo todo.
Em 1915, o havaiano apresentou o surfe na Austrália. Depois da exibição, Duke convidou a filha do sujeito que havia feito sua prancha para testar a invenção junto com ele. Isabel Etham, com 15 anos, tornou-se a primeira surfista australiana. Morreu aos 96 anos, tornando-se lenda do esporte.
A modalidade cheia de graça atualmente está cheia de regras. A parceira tem que pesar no mínimo metade do peso do surfista. As acrobacias valem pontos de acordo com o grau de dificuldade, execução e criatividade; a dupla precisa ficar no mínimo 3 segundos em cada manobra; a aterrissagem na prancha tem que ser suave e, assim como nas outras competições, o tamanho da onda e a distância percorrida têm peso, e interferências são faltas graves.
Doze duplas disputarão o título este ano. Entre elas Brian Keaulana e Kathy Terada – atual campeã mundial. Outra favorita é formada por David Fierra e Blanche Benson, havaiana pioneira nas ondas grandes de Sunset. Blanche, hoje com 54 anos, ganhou seu primeiro título de tandem em 1968, no mesmo ano em que Duke Kahanamoku se tornou definitivamente o verdadeiro espírito do surfe e do aloha.
