Quando você pensa em Indonésia, Polinésia ou Fiji, a primeira coisa que vem à cabeça é paraíso. São lugares que habitam o imaginário de todo viajante, especialmente dos surfistas. Boa parte das ilhas, abençoadas pela natureza, tem ondas perfeitas e fartas e o WCT, circuito mundial de surfe, faz ou já fez escala, por isso é também conhecido como Dream Tour.
Mas, às vezes, o “dream” pode virar “nightmare”, como é o caso da temida onda de Teahupoo (pronuncia-se tcho-pu e significa “crânios quebrados”), no Taiti, que abriga a terceira etapa do circuito em 2008, iniciada ontem. Ondulções fortes e corais rasos e afiados rendem os tubos mais cavernosos do planeta, uma combinação que em 2000, com ondas de até 12 pés, quase matou Neco Padaratz, que ficou preso pela cordinha no coral e foi resgatado pelo jet ski quando já se afogava – após esse episódio o equipamento se tornou obrigatório no apoio às etapas.
Traumas à parte, Teahupoo é uma amostra da evolução do surfe – ou de como o esporte conseguiu ser ainda mais extremo. Antes dela, Pipeline, Havaí, era a onda mais temida, depois vieram Tavarua, Fiji, e G-Land, Indonésia, para completar o rol de ondas perfeitas, rasas, perigosas e extremamente prazerosas. Essas ondas fizeram do WCT o verdadeiro sonho dos atletas.
Em Teahupoo, o buraco, literalmente, é mais embaixo. A etapa entrou no circuito em 1999, com a vaga deixada por G-Land, cancelada após o atentado de extremistas religiosos na Indonésia. O Taiti é conhecido como destino para surfistas desde a década de 60, mas em Teahupoo só há registro de surfe a partir de 1985, e em ondas bem menores do que temos visto nos últimos anos. Em nove anos da elite profissional em Teahupoo, o tubo para esquerda foi vencido cinco vezes por “regular footers” (de costas para a onda) e quatro vezes por “goofy footers”.
As triagens deste ano foram das melhores de todos os tempos, com seis notas 10 contabilizadas, duas delas para o carioca Bruno Santos. Teahupoo é uma etapa-chave no circuito. Com Cloud Break, Jeffrey’s Bay e Pipeline, Teahupoo faz parte do dever de casa daquele que quer vencer o Dream Tour.
MUNDIAL DE SURFE MASTERS
Após cinco anos a prova das categorias acima de 35 e 47 anos volta a acontecer, a partir de 30/6, na Barra da Tijuca. Entre os confirmados, Shaun Tomson, Tom Curren, Michael Ho.
MUNDIAL DE WINDSURFE
O cearense Marcílio Browne Neto, 18, foi vice na primeira etapa do circuito de freestyle, disputada na Áustria.
SUPERSURF
Fora do circuito em 2007, o NE volta com prova em Porto de Galinhas, PE. A segunda etapa do torneio que define o campeão brasileiro começa dia 14. William Cardoso lidera.
