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O Som do Salim

Conheça o comerciante do interior de São Paulo que tem uma das maiores coleções de rádio de carro do país

Por João Carlos Magalhães
Fotos Waléria Santos

Embalados em filme plástico ou soterrados sob uma grossa camada de poeira, cerca de 600 rádios de carro, de diferentes décadas e formas, forram as paredes de um quarto abafado em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O dono do local [e dos aparelhos difusores de AM e FM] atende por Amílcar Amshicar, mas por conta de sua ocupação profissional ganhou a alcunha de Salim. Comerciante de peças para carros antigos, ele próprio se considera o maior colecionador de rádios automotivos do Brasil. ?Conheço três pessoas que se interessam por esse tipo de coleção, mas nenhuma que tenha tudo isso aí?, diz, apontando para as estantes repletas de consoles pretos. ?O que me atrai quando eu compro um rádio é somente o fato de eu ainda não possuir o tal do modelo?, explica o colecionador compulsivo.
Qualquer exemplar vale o esforço da busca, ?apreensão? e posterior incorporação ao acervo valvulado. O ideal, porém, é conseguir um ?zero na caixa? que, como todos os outros, nunca será sequer ligado. O mais caro da coleção é o rádio original do Tucker, um carro americano da década de 40 cuja produção limitou-se a meros 51 exemplares [rádios, no entanto, foram lançados 2500 por conta de uma campanha de marketing do fabricante]. O valor do acessório é estimado em mais de mil dólares. O mais antigo do quarto de Salim é um Delco, ano 1938. O mais estranho, um ?modernoso? Panasonic Cockpit de 70 centímetros da década de 1980. O aparelho dos sonhos? ?Algum modelo ?gaveta? de 1950?, diz Salim. ?E pensar que os rádios móveis só chegariam ao Brasil na década de 1990.?

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