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O Rio de Janeiro e as Enchentes

  Passei pela cidade do Rio de Janeiro nessa época doida aqui de São Paulo (que ninguém sabe se passou mesmo), em que tínhamos chuvas, enchentes, desabamentos e muitas mortes diariamente. A rotina de São Paulo foi alterada. O que fazer antes, durante e após a chuva, foram aprendizados muito sofridos para o povo da cidade paulistana. Mas eu sabia que esse nosso povo duro enfrentaria as adversidades, criaria método e o transformaria em rotina. O raciocínio do paulistano é estóico: “um dia isso para”.

 

Amigos cariocas me perguntavam, apreensivos, como estavam as coisas por aqui. Ficavam impressionados com a taxa diária de mortandade por conta das chuvas e dos seqüentes desabamentos. A gente sentia neles a pergunta viva jamais dita: será que vai chegar até aqui?  

 

Mas estando por lá pensei que se chovesse apenas um pouco do que choveu em São Paulo por dois meses seguidos, a tragédia seria muitas vezes maior. É só observar a topografia. A cidade de São Paulo fica no planalto paulista; o Rio é composto de muitos morros e o mar na frente. E o povo mesmo da cidade, mora nos morros. É uma história antiga e cansada acerca da expulsão do povo que habitava a cidade para a construção da Cidade Maravilhosa. Esse povo vai morar nas encostas dos morros próximos à cidade.

 

Ontem à noite os jornais televisivos nos davam conta da tragédia na Cidade Maravilhosa. Foram 15 horas de chuva pesada; o maior temporal em 44 anos. A região metropolitana do Rio parou. As aulas foram canceladas, as empresas dispensaram seus empregados, a prefeitura aconselhou as pessoas a não saírem de casa e o centro do Rio ficou deserto. Até ontem às 23 horas, a Defesa Civil havia contabilizado 103 pessoas mortas, a maioria nos deslizamentos das encostas dos morros. Havia quase mil e quinhentas pessoas desabrigadas e muita gente ferida nos hospitais.

 

Tragédia, dor… Ah! Essa nossa gente sofrida tanto lá como cá… Vidinha difícil a nossa; além dos angustiosos problemas da existência, ainda temos que encarar intempéries do tempo. Viver não é nada fácil. Por aqui estamos ainda com umas chuvinhas safadas que ensopa até os ossos, faz tudo virar lama e só enche o saco. A gente nem leva muito em consideração; faz parte…     

 

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Luiz Mendes

07/04/2010

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