Se o projeto de lei do governo que proíbe a propaganda de cigarros na mídia passar no Congresso Nacional, as agências de publicidade deverão perder investimentos entre R$ 50 milhões e R$ 55 milhões este ano. A informação é da jornalista Adriana Mattos, em reportagem publicada na Folha de S.Paulo no dia 6 de junho.
Segundo a matéria, grande parte desse dinheiro está nas mãos das principais agências do país, entre elas, A DPZ, DM9DDB e Young & Rubicam. O valor em jogo é pouco inferior ao total investido em mídia pela Nestlé (US$ 30,5 milhões) no ano passado, segundo o ranking de anunciantes da publicação Meio e Mensagem. Os investimentos referem-se apenas ao aplicado em mídia pelos anunciantes de cigarros nas propagandas em televisão, revistas e jornais.
Ao cortar o fôlego das companhias de tabaco na mídia, a arrecadação de impostos sobre o produto também poderá cair em 2000. Isso se o consumo de cigarros diminuir. Em 99, foram recolhidos, em tributos, cerca de R$ 5,5 bilhões, segundo a Abifumo (Associação Brasileira da Indústria do Fumo). A Abap (Associação Brasileira das Agências de Publicidade) informa que a carga tributária sobre o cigarro é de 78% (um maço que custa R$ 1,60 tem embutido nesse valor R$ 1,25 de imposto).
O PREÇO DA FUMAÇA
Os investimentos da indústria do cigarro em publicidade
Televisão
1998 – US$ 35,1 milhões
1999 – US$ 18,9 milhões
Revista
1998 – US$ 14,6 milhões
1999 – US$ 11,8 milhões
Jornal
1998 – US$ 1,1 milhão
1999 – US$ 889 mil