O anúncio da aproximação de um novo ciclone no Sul do país põe em polvorosa a população na rota dos ventos, e, em especial, pescadores e surfistas. Esses últimos fazem comentários que variam entre ‘Imbituba (SC) vai quebrar com 15 pés’, passando por ‘A Ilha dos Lobos (RS) vai virar Teahupoo (Taiti)’, até o mais provável: ‘No auge do swell, o mar vai ficar insurfável’.
A utilização do jet ski para o surfe tow-in facilitou a travessia da rebentação e o acesso às ondas, mas, mesmo assim, salvo raríssimas exceções, ondulações como as que estão chegando à nossa costa não proporcionam mais do que uns poucos segundos de pé sobre a prancha antes que a onda se feche por inteiro (ainda que estes possam ser os segundos mais intensos e prazerosos da vida de um surfista).
Imaginem, e este é outro comentário recorrente, se, nessas condições climáticas, houvesse um fundo artificial em Boissucanga (SP). Seria a onda ideal, no lugar ideal, certo? Provavelmente, mas a questão é que o sonho da onda perfeita especialmente construída com a ajuda da mão do homem ainda não saiu da planilha. O que se tem hoje são intervenções motivadas por proteções portuárias, emissários submarinos, e os resultados já são muito favoráveis. Ala Moana, no Havaí; Kirra, na Austrália, são bons exemplos da contribuição humana na criação divina.
Estudos nessa área avançam mundo afora, em especial na Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos. Pesquisas sérias sobre o efeito dos fundos nas ondulações e seu impacto ambiental são cada vez mais analisadas e tabuladas nesses países. A novidade é que o Brasil acaba de entrar para o grupo.
Uma equipe da área de engenharia costeira e oceanográfica da Universidade Federal do Rio de Janeiro vem estudando a possibilidade de instalar um fundo artificial na praia da Macumba (RJ). A idéia é utilizar concreto para alterar a geografia natural da base oceânica e, assim, aperfeiçoar a dinâmica da onda, que quebraria mais consistente e demoradamente.
E, falando em fundos especiais, num dos mais rasos e afiados, onde quebram as mais desafiadoras ondas do circuito mundial, começa hoje a terceira etapa do WCT. Na verdade, o Billabong Pro Teahupoo entra hoje em seu período de espera, que vai até o próximo dia 16, e irá distribuir US$ 260 mil em prêmios.
Incluída no calendário há seis anos quando, a pedido dos surfistas, o circuito priorizou as ondas em vez do público na praia, a etapa divide a opinião dos competidores entre os que adoram o desafio e os que acreditam que não vale a pena arriscar a vida por um punhado de dólares. Certo é que todos temem aquela onda.
O brasileiro Danilo Costa, patrocinado pela Billabong, que havia conseguido um lugar nas triagens, acabou fracassando em sua tentativa de entrar na disputa principal, perdendo a vaga para um surfista local. E Neco Padaratz, que desde 2000 não disputa a etapa, disse, na semana passada em Maresias, que este ano voltaria. Seu nome está na lista de inscritos.
NOTAS
X-GAMES
A terceira edição dos Jogos Latino-Americanos começa amanhã e vai até domingo na praia do Leme, Rio. São 150 atletas competindo no skate, bike e patins in-line.
MONTANHISMO
Começou esta semana a temporada no Rio de Janeiro, cidade que oferece a melhor relação de quantidade e proximidade de vias num centro urbano, sem falar da beleza.
CORRIDA DE AVENTURA
Esta semana a Salomon apresentou suas novas equipes para a modalidade: QuasarLontra e Atenah, ambas entre as melhores do país.
FOTO: Coppe/UFRJ
