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O Espírito de Porco

O novo moreno da revista Quase é lindo e um mistério a ser revelado na noite desta sexta, 5 de maio, a quem for à festa de lançamento no campus da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Vitória.

Durante um par de meses, os leitores da revista de humor, regida por quatro cabeças jovens, três da capital capixaba e uma da pequena Alegre, a cidade da piada-pronta, enviaram sugestões do “muso”, uma versão mais peluda das nossas Trip Girls.

A revelação sai hoje. E a festa promete algumas coisas. Shows de bandas como a Nigel Mansel Trio, brindes e “surpreendentes” performances “cheias de magia e sedução”. Com tiragem de 2.000 exemplares, a revista, que chega a sua nona edição, é uma esperta mistura de quadrinhos com reportagens. Uma boa surpresa no estilo mezzo revista mezzo fanzine – que perdeu força com a peste dos blogs -, ameaça tornar-se cult.

Das grandes sacadas da publicação, duas são especialmente engraçadas. Os ensaios “místicos e provocantes” do Moreno da Quase e o abaixo-assinado pelo fim dos Engenheiros do Hawaii .

O editor Daniel Furlani (foto), 26, explica a motivação do protesto contra a banda. “O Humberto tem que parar. Não dá mais. O Brasil não merece essa tortura”. Ainda que as mensagens contrárias sejam fortes, a idéia deu tão certo que o próximo passo, conta o jornalista, é criar uma espécie de Coluna Gessinger, que levará a palavra até o ninho da onça: Porto Alegre. Por e-mail, Furlani destrinchou a campanha.

Quem faz a revista? Como nasceu? Não sei dizer ao certo o porquê. Por natureza, gostamos de sacanear as pessoas. A Quase é formada por mim e os editores Labanca, Keka e Juliano. Teve o Fat, que saiu. Todos com idades entre 22 e 26 anos. Só o Keka é de Alegre. O resto é de Vitória. Os caras se conheceram numa oficina de animação do Otto Guerra, na UFES. Eu estudava lá também. A coisa é que sozinhos, não tínhamos força, mas quando nos conhecemos, vimos que poderíamos potencializar nossa má índole publicando uma revista.

Um dos pontos altos da revista foi o ensaio com Rodrigo, vocalista do Dead Fish. Como foi feita a sessão? O ensaio foi muito bom. O Rodrigo se dedicou, se entregou. Ele percebeu que a porta para o sucesso éramos nós, e não a MTV. Nós o catapultamos para o estrelato. Ele tem que nos agradecer para sempre. O que eu acho interessante sobre esse ensaio são as pessoas que o levaram a sério. Condenaram o cara por ter feito fotos para uma revista tão rasteira. Fora as que acham que ele realmente disse as barbaridades que colocamos lá. Teve gente que cobrou mais humildade do cara porque “ele” criticou a música brasileira. Não entendo essa obsessão com a humildade, isso nunca serviu pra nada.

Quais os destaques da nova edição? Me conta um pouco desse concurso do Moreno. Ele é o ensaio sensual da edição 9. Sua identidade está sendo mantida sob sigilo até a festa de lançamento, hoje à noite. Como destaques, temos a biografia do Homem-Galinha; uma análise do patético movimento Emo; uma entrevista com Zé Pintado, que é vigia de carros e artista plástico e sonha ser presidente do país. E tem o ensaio fotográfico, clicado na Ilha de Quase, lógico.

Como vocês pagam a produção? Só colocamos a mão no bolso na número zero, pra pagar metade da produção. O resto foi de anunciante. Não botamos mais dinheiro. Desde a número 1 ela anda sozinha, com dinheiro da venda das revistas e das camisas, das festas que a gente faz, dos anunciantes, e atualmente, com dinheiro público. Conseguimos apoio de uma Lei da Prefeitura de Vitória. Engraçadíssimo isso. 

A repercussão da revista, dos quadrinhos e dos ensaios? Pô, hoje em dia tem gente em vários estados do Brasil que nos respeita. Acho isso surreal. Nunca pensei que um dia alguém iria me respeitar. Sou o tipo de pessoa que anda na rua com medo de levar uma cusparada na cara.

Nunca deu confusão? Vocês atiram pra tudo que é lado… Tem a galera que nos odeia, com força mesmo, principalmente em Vitória. São pessoas que levam a revista mais a sério do que a gente leva. Já entraram com ação na Justiça e até ameaçaram bater na gente, matar. Mas não temos medo de morrer, temos medo é de sofrer alguma lavagem cerebral e começar a curtir desenhos japoneses e ouvir Engenheiros do Hawaii.

O que nos leva ao abaixo-assinado contra a banda. Pois é, estamos recebendo e-mails do Brasil inteiro de pessoas nos xingando com palavrões que nós nem conhecíamos. É uma sensação muito boa. Somos muito criticados por sermos negativos, por ridicularizar todo mundo. Decidimos fazer algo de construtivo. O Humberto tem que parar. Não dá mais. O Brasil não merece essa tortura. Alguém tem que impedir esse cara pelo bem da nação. E a Quase decidiu liderar o movimento. Já temos muitas assinaturas, não sei dizer quantas, mas ainda queremos mais. Estamos planejando, não é nada certo, uma excursão por várias capitais brasileiras, até chegarmos em Porto Alegre, onde finalizaremos a cruzada. Se não formos linchados, será um sucesso. Quem quiser participar do abaixo-assinado é só ir em www.quase.com.br .

E essa coisa dos ensaios masculinos. É um tipo de resposta às Trip Girls? Olha, nunca pensamos em resposta a nada, mas que nós somos infinitamente mais sensuais que qualquer Trip Girl, isso é evidente. Só não ganhamos a vida com nossos corpos porque nossas mães não deixaram.

Quer conferir? Clique na ilustração que abre a matéria e veja um petisco saboroso da irreverência dos “marmanjos que se jogam num ritual de flashes e prazer”, os Morenos da Quase.

Vai lá
O quê:
Lançamento da Quase # 9 + Lançamento do CD do Ócio
Quando: sexta, 5, a partir das 22h30
Onde: no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da UFES, Vitória, Espírito Santo
Quanto: Entrada Gratuita

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