Há cinco anos eu escrevia meu primeiro texto para a Trip; era sobre mulheres. Afirmava que a maioria dos homens, em outras palavras, deveria passar pela experiência prisional. Considerava que somente assim, distante da convivência feminina, é que passariam a valorizá-las, assim como aconteceu comigo.
Pois é, os anos passaram, estou aqui fora há mais de três anos convivendo com mulheres e ainda convicto: é preciso valorizá-las ainda mais. Claro que dentro de um realismo, pois são seres humanos sujeitos a erros e defeitos como todos nós.
Nós, homens, somos muito diferentes das mulheres. Em termos de sensibilidade, a cultura feminina está a milhas de distância da masculina. Ainda somos objetivos e vemos tudo globalmente. Já o detalhe, a delicadeza das questões e toda sutileza, nos escapa até porque são tantas as preocupações… Nada nos interessa tanto assim. Somos eficientes, construímos um mundo. Isso importa. Tudo bem que ele está aos pedaços, se escorando precariamente, mas é um mundo. “Existe esperança, ainda”, afirmamos sem muita convicção.
Uma bailarina explica bem o que tento dizer. Sua figura a rodopiar e quase voar, flexível como pena, na ponta do pé, é a expressão máxima da feminilidade. Quem conhece a vida de bailarina – e eu tive essa honra -, sabe o quanto é difícil e duro o trabalho delas. A firmeza por trás da delicadeza, a beleza em seu limite mais alongado.
Suas deliciosas quimeras deveriam ser tratadas com poesia. A mulher amada, bem tratada e reconhecida em seu esforço, é companheira inseparável. Acho, devem ser levadas a sério. São altamente capazes, se desafiadas. Ácidos perfumes e jóias finas perfumam e realçam suas peles, esse tecido delicado que a natureza as privilegiou.
É delas toda a água que inunda a minha boca. Eu, esse consumidor despudorado da imaginação, as reverencio novamente.
