Não é apenas São Luís do Maranhão que respira ritmos jamaicanos. Ainda que discretamente, vertentes do reggae como o dub, o dancehall e o ragga vêm ganhando adeptos em São Paulo e Rio de Janeiro graças a alguns entusiastas do gênero, que começaram a colocar seus vinis para rodar na noite das duas capitais.
Em São Paulo, o grande responsável pelas discotecagens atende pelo nome de Dubversão Sound System. A equipe de som surgiu há três anos quando Miguel Salvatore e Yellow P, o nome mais conhecido das pistas de reggae paulistanas, levaram toca-discos, mixer e quatro caixas de som (entenda o conjunto como um sound system) para uma praça no bairro da Pompéia. Dali, migraram para a calçada do desconhecido bar do seu Chico, também na Pompéia, que, esporadicamente, reunia um punhado de gente na base do boca a boca. A vizinhança encrencou com o barulho e a equipe foi parar no parque Trianon e na praça Aprendiz (Vila Madalena), em 2004, em duas (boas) apropriações do espaço público.
O sound system surgiu na década de 50 como uma forma de diversão gratuita para os moradores da periferia de Kingston, capital jamaicana, além de uma maneira de se ouvir música, já que o rádio era uma raridade entre a população carente naquela época. “Era também uma forma de os jamaicanos tocarem o som que produziam. Havia sound systems de vários tipos — em quadras fechadas, ao ar livre…”, completa Yellow P.
Já o Echo Sound System surgiu há dois anos quando os amigos Gustavo Veiga (do grupo Veiga & Salazar), Gustavo Sola (produtor) e o DJ Pedrinho Dubstrong se juntaram para produzir música jamaicana e suas vertentes – dub, ragga e hip-hop – unindo as referências do passado com a tecnologia atual. O francês Pyroman é o MC do grupo, que também costuma receber reforços de Funk Buia e outros MCs. Pedrinho, figura constante nas pick-ups da cidade, também envereda seus sets por vertentes jamaicanas.
No Rio, o Digitaldubs Sound System especializado em dub, dancehall e ragga, com ênfase na última vertente, é uma das equipes de som mais ativas da cidade. Há quatro anos o projeto vem promovendo festas e hoje comanda uma residência quinzenal na Casa da Matriz, além de tocar eventualmente em outras cidades. “Não existia nada de reggae no Rio até então”, conta MPC, que ao lado de Nélson Meirelles e Cristiano Dubmaster forma o Digitaldubs. “Hoje nossas festas já têm um público fiel, que está lá para ouvir dancehall”. MPC controla os efeitos da mesa de som, Cristiano Dubmaster tece cometários sobre as músicas e a festa – o chamado toasting na tradição jamaicana – e Meirelles, seleciona os discos. Além de versões de clássicos do reggae e faixas não tão conhecidas, o grupo também inclui produções próprias em seus sets. O rapper BNegão e Mr. Catra (conhecido MC dos bailes funks cariocas), que ocupam com freqüência os microfones das festas do Digitaldubs, já gravaram com o grupo, que assina remixes para Quinto Andar, Nação Zumbi, Mombojó e Gilberto Gil.
Além do Digitaldubs, o Rio também conta com Urcasônica Sound System e o Sensorial Sistema de Som, da dupla David Cole e Lucas Santtana, que começou suas discotecagens nas areias do Posto 9. Yellow P finaliza: “Não acho que o gênero está crescendo, mas está caminhando. É o reflexo de um trabalho”, além de uma alternativa para as pistas de hip-hop e música eletrônica, que não faltam nas duas capitais.
Vai lá:
Dubversão Sound System:
Todas as quartas Yellow P discoteca na noite Frankafrica, no Saravejo (rua Augusta, 1.385 — Cerqueira César – Tel.: 11 3253-4292)
Próximas festas:
Quando: 28/10 (com Digitaldubs Sound System) no Java, a partir das 23 h
Onde: Portinari Bar (Alvaro de Carvalho, 53 – centro (continuação da rua Augusta)
Quanto: R$ 12 reais
Para mais informações sobre o Dubversão: envie um e-mail para rootsjavadub@gmail.com
Pedrinho Dubstrong:
Quando: toda quinta, a partir das 0 h
Onde: Lov.e Club (rua Pequetita, 189 – Vila Olímpia – Tel: 3044-1613 – São Paulo/ SP)
Quanto: R$ 30 (homens) e R$ 20 (mulheres)
Digitaldubs Sound System
Quando: 19/10 de outubro, quarta-feira, a partir das 23 h
Onde: Casa da Matriz (rua Henrique Novais, 107 – Botafogo)
Pista 1: Digitaldubs recebe Geddibang (Circa sound system/ Noruega)
Pista 2: Apavoramento e a volta de John Woo
